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A dinastia Feijó no futebol: milhões de verbas públicas e sombras de transparência na CBF e FAF

29 de abril de 20263 min de leituravia Rafael Souza
A dinastia Feijó no futebol: milhões de verbas públicas e sombras de transparência na CBF e FAF — Futebol

Família influente movimenta fortunas públicas no futebol alagoano

Uma linhagem consolidada no comando do futebol brasileiro revela como recursos milionários do erário chegam às mãos da Federação Alagoana de Futebol (FAF) por meio de estruturas paralelas. Sob a liderança de Felipe de Omena Feijó, presidente da entidade há mais de uma década, e com o pai Gustavo Feijó como diretor de Futebol Masculino na CBF, o esquema captou mais de R$ 6 milhões em emendas parlamentares em 2023, fugindo de bloqueios por dívidas fiscais.

Instituto privado como escudo contra dívidas

Criado em 2017 pelo jovem presidente Felipe Feijó, aos 23 anos o mais novo a assumir uma federação estadual, o Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP) atua como braço privado da FAF. Essa organização sem fins lucrativos gerencia verbas em nome da federação, que acumula dívida ativa de R$ 6,2 milhões na Fazenda Pública. Especialistas em governança apontam riscos de baixa transparência, similar a um caso maranhense questionado pelo Ministério Público.

Em 2022, surgiu o Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa (IFAGP), também ligado inicialmente à FAF, desvinculado em 2024. Esses institutos recebem emendas e convênios, como R$ 1,77 milhão da FUNDEPE para transmissões de jogos em 2023, e mais R$ 600 mil em 2025 para projetos sociais.

Emendas milionárias de deputados alagoanos

A Secretaria de Esporte de Alagoas liberou R$ 6,3 milhões via LAI: R$ 994 mil de Gilvan Barros Filho (anulado oficialmente, mas recebido pela FAF em fevereiro de 2026), R$ 200 mil de Antônio Albuquerque, R$ 1,2 milhão de André Silva, R$ 2,6 milhões de Dudu Ronalsa e R$ 1,3 milhão de Delegado Leonam. A vereadora Gaby Ronalsa, irmã de Dudu, destinou R$ 920 mil ao IFPP, ainda não pago.

Além disso, a CBF repassou R$ 2,18 milhões em 2024 à FAF, mais R$ 207 mil para arbitragem.

Empréstimos do presidente à própria federação

Balanço de 2024 revela que Felipe Feijó emprestou R$ 463 mil em 2023 e R$ 563 mil em 2024 à FAF, totalizando dívida de R$ 1,02 milhão. A irmã Mariana, via empresa Uniball Sports de agenciamento de atletas, aportou R$ 160 mil nos dois anos.

Antecedentes polêmicos de Gustavo Feijó

Ex-prefeito de Boca da Mata, Gustavo enfrentou acusações de desvio de R$ 28 milhões, corrupção e organização criminosa. Na CBF desde gestões anteriores, demitiu o técnico da sub-20 Ramon Menezes por telefone após eliminação em 2023, sem consultar o presidente.

Antigamente, agenciava atletas via Internacional Foot Brasil, sócio do português Antônio Araújo, envolvido no escândalo 'Apito Dourado' em Portugal, com subornos a árbitros e prostituição.

Caso similar no Maranhão: 'fraude' e 'estrutura artificial'

O MP maranhense denunciou o Instituto Maranhense de Futebol como 'conta de passagem' para verbas da FMF, com desvio de finalidade e ocultação patrimonial, reduzindo controles como assembleias e auditorias da CBF.

Posição da CBF

A entidade repassa verbas regularmente às federações, que prestam contas. Questões pessoais de Gustavo Feijó devem ser direcionadas a ele. Sobre a família e institutos, remete à responsabilidade das federações.

Resposta da FAF

O IFPP é autônomo, apoia projetos esportivos e sociais com clubes. Detalha ciclos de repasses: R$ 3,9 milhões em 2025, R$ 1,4 milhão em dezembro de 2025 e R$ 994 mil em 2026. Nega vínculo com IFAGP e empréstimos com o instituto. Confirma mútuo de R$ 80 mil com Uniball, aprovado em assembleia. Enfatiza 14 competições, 567 jogos e 5 mil atletas no ciclo recente.

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