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Altitude no Futebol: Como Clubes Brasileiros Enfrentam o Desafio nas Copas

14 de abril de 20263 min de leituravia Rafael Souza
Altitude no Futebol: Como Clubes Brasileiros Enfrentam o Desafio nas Copas

Os clubes brasileiros enfrentam um obstáculo único ao disputar partidas em altitudes elevadas durante competições como a Libertadores e a Sul-Americana. Nesta terça-feira (14), o Mirassol faz sua estreia nesse cenário desafiador contra a LDU, em Quito, a 2.850 metros acima do nível do mar, às 23h (horário de Brasília). Para lidar com as condições adversas, a equipe paulista decidiu viajar no domingo (12), garantindo dois dias para adaptação.

Diferentes estratégias têm sido adotadas por times brasileiros. Enquanto Mirassol optou por maior tempo de aclimatação, Flamengo e Santos, em jogos recentes em Cusco (3.350m) e Cuenca (2.530m), chegaram apenas um dia antes. Já a Seleção Brasileira, em partidas em El Alto, na Bolívia (4.150m), prefere desembarcar poucas horas antes do confronto. Isso levanta a questão: qual é a melhor maneira de enfrentar a altitude?

Impactos Fisiológicos da Altitude

A altitude afeta o corpo humano devido à menor pressão atmosférica, que reduz a disponibilidade de oxigênio. Segundo Daniel Carlos Garlipp, doutor em Ciências do Movimento Humano e professor da Ulbra, os efeitos começam a ser sentidos a partir de 1.600 metros. Essa condição dificulta a saturação de oxigênio nas hemácias, impactando diretamente o desempenho físico dos atletas.

A adaptação ideal a grandes altitudes exige semanas, algo inviável no apertado calendário do futebol brasileiro. Assim, as estratégias dos clubes são moldadas mais por logística e preferências do que por evidências científicas definitivas. Diogo Figueiredo, médico do esporte do Espaço Einstein, explica que não há uma tática ideal de curto prazo. Estudos com ciclistas, por exemplo, não mostram vantagem significativa entre chegar 14 horas ou apenas duas horas antes de uma competição a 2.500 metros.

Estratégias e Vantagens Táticas

Chegar mais próximo ao horário da partida pode minimizar sintomas como dor de cabeça, náuseas e mal-estar, que surgem após algumas horas na altitude, conforme aponta Garlipp. Por outro lado, equipes locais muitas vezes usam a altitude como arma tática. Durante a vitória do Deportivo Cuenca sobre o Santos, o técnico Jorge Célico orientou seus jogadores a intensificarem o ritmo para explorar a dificuldade dos brasileiros. Especialistas confirmam que atletas não adaptados se desgastam mais rápido, já que o corpo trabalha em maior intensidade para compensar a falta de oxigênio.

Reforço de Oxigênio: Funciona?

O Flamengo, em sua recente passagem por Cusco, utilizou um hotel com quartos equipados com reforço de oxigênio. Segundo Figueiredo, essa medida pode melhorar o sono e o conforto, contribuindo indiretamente para a recuperação noturna. No entanto, não há evidências de que isso melhore diretamente o desempenho em campo.

No fim, a altitude segue sendo um desafio complexo para os clubes brasileiros. A escolha da estratégia depende de fatores logísticos, psicológicos e individuais, já que a ciência ainda não oferece uma solução definitiva para lidar com esse obstáculo nas competições sul-americanas.