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Arsenal sofre com falta de criatividade em jogadas abertas: isso pode custar o título da Premier League?

13 de abril de 20264 min de leituravia Ana Beatriz Santos
Arsenal sofre com falta de criatividade em jogadas abertas: isso pode custar o título da Premier League?

A falta de criatividade do Arsenal em campo aberto preocupa na reta final da Premier League

O fim de semana foi de frustração para o Arsenal na Premier League. A derrota em casa para o Bournemouth, combinada com a vitória do Manchester City sobre o Chelsea, trouxe de volta a tensão na disputa pelo título. Mais do que o resultado, porém, o desempenho dos Gunners acendeu um alerta. Enquanto o Bournemouth, treinado por Andoni Iraola, apresentou um futebol envolvente, a equipe de Mikel Arteta pareceu limitada a jogadas de bola parada, com pouca inspiração em campo aberto. O índice de gols esperados (xG) em jogadas abertas foi de apenas 0,18, um reflexo claro da dificuldade em criar oportunidades.

A dependência de bolas paradas tem sido uma marca registrada do Arsenal nesta temporada. O time lidera a liga em gols e chances criadas nessas situações, mas o jogo contra o Bournemouth mostrou como essa estratégia pode ser um obstáculo quando não funciona. Enviar defensores ao ataque em faltas no meio-campo, por exemplo, consome tempo e interrompe o ritmo da partida. Declan Rice tem se destacado nas cobranças, mas no último sábado, a tática não surtiu efeito. Dados mostram que, durante a partida, quase 27 minutos foram gastos com o Arsenal tecnicamente em posse de bola, mas sem ação, incluindo longos sete minutos em preparativos para laterais.

Um padrão preocupante para um líder

O Arsenal sabe onde estão seus pontos fortes, e essa fórmula o levou ao topo da tabela. No entanto, partidas travadas como essa têm se tornado frequentes. Entre os seis primeiros colocados da Premier League, os Gunners tiveram mais jogos com xG em jogadas abertas igual ou inferior a 0,3 do que Manchester City, Manchester United, Liverpool e Chelsea juntos — foram seis ocasiões. Para um líder, isso é atípico. Nas últimas oito temporadas, os campeões sempre estiveram entre os dois melhores em criatividade em campo aberto. O Arsenal, atualmente, ocupa apenas a sexta posição nesse quesito, atrás até do Brighton.

Será que isso importa? Talvez não, se conseguirem vencer o City no próximo confronto, especialmente se o gol vier de uma bola parada. Mas a falta de fluidez no jogo pode ser um problema. Enquanto o Manchester City parece pronto para engrenar uma sequência de vitórias, o Arsenal depende de momentos pontuais para se manter na briga.

Jarrod Bowen: o pilar do West Ham na luta contra o rebaixamento

Jarrod Bowen sentiu profundamente a eliminação do West Ham na FA Cup para o Leeds, após acertar a trave duas vezes e perder um pênalti na decisão. Mas o atacante se redimiu na Premier League com uma atuação decisiva na goleada de 4 a 0 sobre o Wolves, que tirou os Hammers da zona de rebaixamento. Apesar de acertar a trave novamente, Bowen contribuiu com duas assistências, somando oito na temporada, além de oito gols. Mesmo em uma campanha difícil para o West Ham, ele mantém números impressionantes. Desde sua chegada em janeiro de 2020, está entre os seis jogadores com mais participações em gols na liga.

A consistência de Bowen é notável: apenas ele, Mohamed Salah e Bruno Fernandes registraram mais de 10 participações em gols em cada uma das últimas seis temporadas. Se alcançar mais quatro contribuições nos seis jogos restantes, pode se juntar a Erling Haaland como um dos únicos a atingir 20 participações em gols nas últimas três temporadas. Isso seria um feito incrível e um impulso crucial para manter o West Ham na elite.

Brian Brobbey: a força de sustentação do Sunderland

O Sunderland também teve motivos para comemorar com a vitória por 1 a 0 sobre o Tottenham, no primeiro jogo de Roberto De Zerbi no comando. Brian Brobbey não marcou, mas foi essencial na linha de frente dos Black Cats. Segundo o ex-atacante Don Goodman, comentarista da Sky Sports, ninguém na Premier League segura a bola tão bem quanto o holandês. Os números confirmam: Brobbey reteve a posse 48 vezes nesta temporada, atrás apenas de Viktor Gyokeres, do Arsenal, mas com uma taxa de sucesso superior aos principais concorrentes.

O técnico Regis Le Bris destacou que Brobbey demorou a atingir o melhor condicionamento físico, mas agora é peça-chave. Seus seis gols na Premier League podem parecer modestos, mas todos foram decisivos, garantindo oito pontos ao Sunderland, incluindo o gol da vitória sobre o Newcastle. Mais do que isso, sua capacidade de segurar a bola tem transformado o jogo da equipe, criando problemas para os adversários que tentam pressionar alto.