Athletico-PR no G4: Odair Hellmann transforma limitações em força no Brasileirão

Organização tática e o desafio do elenco
Ver o Athletico-PR entre os quatro primeiros do Brasileirão gera surpresa e certa desconfiança. A campanha, no entanto, não resulta de acaso, mas de uma aplicação tática inteligente. Odair Hellmann extrai o máximo de um grupo que, em teoria, deveria lutar contra o rebaixamento. O time compete no limite porque reconhece suas restrições e constrói um modelo de jogo que incomoda qualquer oponente.
O esquema do Furacão baseia-se na eficiência territorial em vez de posse absoluta. A diretoria priorizou um meio-campo combativo, mas deixou a criação em segundo plano. Com Zapelli oscilando fisicamente e jovens da base ainda em desenvolvimento, o time precisa ser decisivo nas transições. A bola recuperada chega rápido ao ataque, ferindo o adversário quando ele menos espera.
Viveros como peça central
É impossível entender o momento do Athletico sem destacar Viveros. Artilheiro da competição, o colombiano não se limita a esperar a bola na área. Ele desce para apoiar os volantes, gira, atrai marcação e gera suas próprias oportunidades. Apesar de desperdiçar algumas chances claras, o volume de jogadas que cria compensa eventuais falhas de finalização. O time joga em função dele, e sua confiança sustenta todo o setor ofensivo.
A engrenagem funciona no limite e, por vezes, exige lances imprevisíveis para não travar. A assistência de Jadson e a atuação natural de Claudinho na lateral mostram como a organização coletiva eleva o rendimento individual acima do teto técnico.
Riscos da profundidade reduzida
O principal obstáculo permanece a falta de opções no banco. O onze titular é competitivo, mas a reserva assusta. Dependências de Mendoza e Julimar já representavam risco; lesões e convocações de garotos inexperientes podem comprometer o sistema. Sem reposição adequada, uma ausência de Viveros por duas rodadas pode desestruturar o ataque.
Por isso, a pergunta sobre uma surpresa maior no Brasileirão exige realismo. O trabalho de Odair Hellmann merece elogios, mas manter o nível por mais meses com o mesmo grupo é improvável. Na janela de transferências, rivais se reforçarão, enquanto o Athletico precisa de peças para suportar a maratona de jogos. Terminar a temporada no meio da tabela já representaria sucesso tático. Pedir vaga na Libertadores seria cobrar demais de um elenco que já entrega além do esperado.
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