Bap: 'É ilegal' a venda do Vasco para a família de Leila

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, classificou como ilegal qualquer tentativa de Marcos Lamacchia comprar a SAF do Vasco.
Bap repetiu o alerta em entrevista nesta quinta-feira e deixou claro que não se trata de opinião pessoal. As regras da Fifa, do estatuto da CBF e do Código Civil brasileiro proíbem que parentes comandem dois clubes do mesmo país ao mesmo tempo. Leila Pereira, presidente do Palmeiras e mulher de José Roberto Lamacchia, pai do possível comprador, cria exatamente esse conflito.
O mandatário rubro-negro foi direto: isso configura poligamia societária e não pode ser aprovado pela CBF. Ele lembrou que a solução mais simples seria Leila deixar o Palmeiras imediatamente. Caso contrário, o negócio só poderia avançar depois de outubro de 2027, quando termina o mandato dela no Verdão.
Bap também quis afastar a ideia de que está apenas tentando atrapalhar o rival. Seu pai era vascaíno, ele tem amigos vascaínos e reconhece que o Gigante da Colina carrega uma das maiores torcidas do país. O problema, segundo ele, é a gestão ruim que o Vasco atravessa há anos, situação parecida com a que o próprio Flamengo já enfrentou no passado.
A possível transação envolve a compra de 90% da SAF cruzmaltina por valor superior a R$ 2 bilhões. O negócio ainda depende de aprovações judiciais e societárias, incluindo decisões sobre a atual administração da SAF. Bap já havia feito declaração semelhante em junho de 2026 e ameaçou acionar a Justiça caso o acordo seja concluído sem resolver o conflito de interesses.

No Vasco, Pedrinho rebateu as falas do presidente do Flamengo afirmando que ninguém pediu opinião. A troca de farpas mostra como o tema mexe com os bastidores do futebol carioca e nacional.
A Lei da SAF, criada em 2021, trouxe investidores para vários clubes em dificuldade, mas também gerou dúvidas sobre governança e conflito de interesses. O caso Vasco-Palmeiras-Flamengo coloca à prova os limites dessa legislação. A CBF terá que decidir se autoriza ou não a operação, e qualquer sinal verde pode gerar ações na Justiça ou até na Fifa.
Para o torcedor rubro-negro, o posicionamento de Bap reforça a defesa do clube contra manobras que possam beneficiar rivais indiretos. Já a torcida vascaína vê a chegada de recursos como chance de sair da crise e voltar a brigar por títulos e vagas em competições continentais. O embalo de uma SAF bem estruturada já mudou o patamar de outros times nos últimos anos.
O episódio revela ainda a complexidade das relações familiares no futebol brasileiro. Leila Pereira construiu influência forte no Palmeiras por meio da Crefisa, e qualquer movimento envolvendo parentes em outro clube grande gera suspeitas automáticas. Bap argumenta que a regra existe exatamente para evitar esse tipo de sobreposição.
Enquanto a negociação não é concluída, o mercado especula sobre alternativas para o Vasco. Outros grupos podem aparecer caso o acordo com Marcos Lamacchia emperre. O Flamengo, por sua vez, segue monitorando o cenário e se prepara para possíveis contestações formais.
O futebol brasileiro vive momento de transição com a entrada de capital externo em vários clubes. Casos como esse servem de teste para saber se as instituições vão conseguir fiscalizar de forma efetiva ou se prevalecerá a força dos acordos políticos e econômicos. Bap aposta na lei. Resta saber se a CBF vai seguir o mesmo caminho.
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