CBF justifica manutenção de Bobadilla em campo após polêmica no clássico do Brasileirão

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) publicou nesta segunda-feira (11) o relatório detalhado do VAR sobre a decisão de não expulsar o meia Bobadilla, do São Paulo, durante a vitória sobre o Corinthians na Neo Química Arena, no domingo (10). O lance em questão envolveu um suposto gesto obsceno na comemoração de gol, mas os árbitros entenderam que se tratava de uma expressão comum entre jogadores sul-americanos, sem violação das normas.
O árbitro Anderson Daronco, após revisão, concluiu que não houve toque nas partes íntimas nem intenção ofensiva. Ele descreveu o movimento como um incentivo à 'raça' e à garra, típico de atletas da região, o que evitou o cartão vermelho.
Reclamação do Corinthians e histórico de punições
O Corinthians não engoliu a decisão e prometeu questionar a CBF. O executivo de futebol Marcelo Paz anunciou que cobrará esclarecimentos oficiais da entidade. Para piorar, o Timão lembra de casos recentes em que seus próprios jogadores foram punidos por gestos parecidos: o volante Allan, expulso contra o Fluminense na 9ª rodada ao simular segurar as partes íntimas, e o meia André, que recebeu vermelho idêntico no dérbi contra o Palmeiras, pela 11ª rodada, direcionado ao atacante López.
Áudio completo da conversa no VAR revela debates internos
A CBF liberou o diálogo integral entre o árbitro de campo e a equipe do VAR, destacando a análise minuciosa:
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Anderson Daronco (árbitro): "Tem algo com gestual na região genital. O Corinthians alega que foi o Bobadilla na comemoração."
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Rodolpho Toski Marques (VAR): "Não há clareza para vermelho. Ele usa as duas mãos, mas sem encostar. Parece um 'raça, vamos lá!'. Sem contato."
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Helton Nunes (assistente VAR): "Não toca no corpo."
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Rodolpho Toski Marques: "Daronco, é interpretativo. Ele balança as mãos sem tocar. Pode ser 'raça' ou outra coisa, mas sem contato."
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Anderson Daronco: "Minha visão: não toca nas genitais. É comemoração comum de estrangeiros, tipo 'vamos com raça!'. Vocês concordam?"
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Equipe VAR: "Sim, interpretamos igual. É situação não vista em campo, mas interpretativa. Sem punição."
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Anderson Daronco: "Ok, é gesto interno da equipe para motivar. Vamos seguir sem cartão."
Essa revelação reforça o critério subjetivo da arbitragem em lances assim, alimentando debates sobre consistência no Brasileirão.
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