Conmebol adota novas regras e deixa Lei Vini Jr de fora

A Conmebol vai pôr em prática novas regras do futebol a partir da segunda quinzena de julho, mas deixou a Lei Vini Jr fora das competições sul-americanas.
A entidade sul-americana segue a linha da Uefa e optou por não aplicar a punição que prevê cartão vermelho direto para quem tapa a boca em discussões ou provocações. A medida já vale na Copa do Mundo de 2026, onde dois jogadores já foram expulsos por causa dela.
Mudanças que entram em vigor
As alterações que a Conmebol decidiu adotar visam reduzir a perda de tempo e aumentar o tempo efetivo de bola rolando. Entre elas estão a contagem de cinco segundos para laterais e tiros de meta, dez segundos para o jogador substituído deixar o campo e a obrigatoriedade de o atleta atendido ficar pelo menos um minuto fora antes de voltar.
Essas regras vão afetar diretamente os jogos da Libertadores e da Sul-Americana. Clubes brasileiros que costumam brigar por vaga na fase final vão precisar ajustar a forma de gerenciar o ritmo das partidas. A cera, prática comum em momentos decisivos, perde espaço e força as equipes a manterem o jogo mais vivo.
O VAR também ganha novas atribuições. Além dos lances clássicos, o árbitro de vídeo poderá corrigir escanteios marcados errado e expulsões por segundo amarelo aplicado de forma incorreta, desde que o erro seja objetivo e possa ser comunicado antes do reinício.

Contexto da decisão e o caso Vini Jr
A Lei Vini Jr nasceu depois de um episódio envolvendo o atacante brasileiro na Champions League. A IFAB aprovou a regra em fevereiro, mas sua aplicação não é obrigatória. A Conmebol optou por não incluí-la, assim como a Uefa. Na Copa do Mundo de 2026, porém, o paraguaio Miguel Almirón e o equatoriano Piero Hincapié já sentiram o peso da punição.
Para o futebol sul-americano, a ausência dessa regra significa que provocações e gestos que visam desestabilizar o adversário continuam sem punição direta. Times com raça e que gostam de brigar dentro de campo vão continuar usando todos os recursos permitidos para ganhar vantagem psicológica.
A decisão da Conmebol chega em um momento importante. A Libertadores e a Sul-Americana voltam em julho com várias equipes brasileiras na briga por vaga na fase mata-mata. Qualquer mudança no tempo de bola rolando pode alterar o planejamento tático de técnicos que contam com a posse prolongada ou com a gestão do resultado.
Além disso, o anúncio reforça que a entidade sul-americana segue as orientações da IFAB, exceto quando decide que uma regra não se encaixa no perfil das suas competições. A exclusão da Lei Vini Jr mostra que a Conmebol prefere manter o modelo atual de arbitragem sem adicionar novas expulsões automáticas.
No dia a dia das partidas, os goleiros vão precisar ser mais ágeis na reposição de bola. Laterais demorados também serão punidos com a perda da posse. Substituições vão exigir rapidez na saída do jogador, sob risco de deixar a equipe com um a menos por até um minuto.
O impacto maior deve aparecer em jogos equilibrados, onde a diferença de um minuto de bola rolando pode decidir quem avança na tabela. Clubes acostumados a controlar o ritmo vão ter que adaptar sua estratégia para não serem surpreendidos pela nova contagem.
A Conmebol confirmou que todas as outras mudanças da IFAB serão aplicadas integralmente. Resta saber como árbitros e jogadores vão assimilar as novidades em campo nas primeiras rodadas após a pausa.
Com a Copa do Mundo de 2026 já em andamento e as eliminatórias em fase decisiva, a padronização parcial das regras mostra que cada confederação ainda tem liberdade para escolher o que aplica. A Conmebol optou pelo caminho mais conservador ao deixar a Lei Vini Jr de fora.
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