David Moyes reacende esperanças no Everton: Europa à vista, mas desafios em casa persistem

Quando David Moyes retornou ao Everton após mais de uma década afastado, muitos torcedores e analistas torceram o nariz. À primeira vista, a decisão parecia um ato de desespero de um clube em crise, buscando no passado um alento para evitar o rebaixamento na Premier League. Naquele momento, os Toffees enfrentavam problemas financeiros graves, haviam sofrido uma dedução de pontos há menos de dois anos e estavam apenas um ponto acima da zona de degola. Hoje, instalados em um novo estádio, o clube renova suas ambições às vésperas do primeiro dérbi Merseyside no Hill Dickinson Stadium, com transmissão ao vivo pela Sky Sports.
Falar em vaga para competições europeias, ou até mesmo sonhar com a Champions League, seria motivo de risada quando Moyes reassumiu o comando. Desde sua saída original, o Everton vinha se afastando cada vez mais das posições de classificação para torneios continentais. Quem diria que bastaria trazer de volta o técnico que conduziu o clube às competições europeias há duas décadas para reacender essa esperança? Talvez seja injusto reduzir o mérito de Moyes a mera nostalgia. Afinal, ele também conquistou um título europeu com o West Ham, algo que, embora impressionante, talvez não tenha sido tão desafiador quanto o atual momento no Everton.
Uma vitória sobre o arquirrival Liverpool neste domingo pode deixar o Everton a apenas dois pontos da quinta posição, que garante vaga na Champions League. Desde o retorno de Moyes, os Toffees ocupam a sétima colocação na tabela da Premier League, à frente de gigantes como Manchester United, Newcastle e Tottenham, clubes que já disputaram ou estão nas zonas de classificação para a Liga dos Campeões. E isso tudo com um orçamento bem mais modesto: nas últimas duas janelas de transferências, esses três clubes gastaram pelo menos 100 milhões de libras a mais que o Everton. Ainda assim, Moyes tem transformado o que tem em mãos, tirando o clube da briga contra o rebaixamento e o colocando na rota da Europa.
Forma impressionante fora de casa
Um dos pilares dessa transformação tem sido a performance do Everton como visitante. Desde que Moyes voltou, o time se tornou um dos melhores fora de casa na Premier League, ficando atrás apenas de Arsenal e Manchester City em pontos conquistados longe de seus domínios, com uma média de 1,68 pontos por jogo. Essa é uma mudança significativa para Moyes, que, desde sua passagem pelo Manchester United em 2014, raramente teve um desempenho tão sólido como visitante. Em outros clubes, como Real Sociedad, Sunderland e nas duas passagens pelo West Ham, ele mal alcançou ou superou a média de um ponto por partida fora de casa.
Apesar de não ser um time que brilha pelo ataque – Kiernan Dewsbury-Hall lidera a artilharia com apenas sete gols na temporada –, Moyes conseguiu montar uma defesa sólida, que tem arrancado pontos em estádios difíceis como Old Trafford, St James’ Park e Villa Park. É dessa forma que o Everton se colocou na briga por vaga europeia, algo que parecia inimaginável há poucos meses.
Desafios persistem no novo lar
Se fora de casa os resultados têm sido animadores, o desempenho em Hill Dickinson Stadium ainda preocupa. O Everton conquistou apenas seis vitórias em casa na Premier League, ocupando a 14ª posição no ranking de desempenho como mandante. Alguns atribuem isso às dificuldades de adaptação ao novo estádio. O próprio Moyes já comentou que muitas equipes enfrentam problemas ao mudar de casa, algo que parece afetar o ambiente que tornava Goodison Park um lugar temido pelos adversários. O novo estádio, mais aberto, pode estar diluindo a força da torcida, tornando o campo menos intimidador para os visitantes.
Os números mostram que o estilo de jogo do Everton muda em casa, e isso tem sido prejudicial. Como mandante, o time joga de forma menos direta, com maior posse de bola (47,6% contra 39,7% fora), mas isso os deixa mais vulneráveis defensivamente. Embora tenham sofrido apenas um gol a mais em casa do que fora, o esperado de gols sofridos (xGA) é quase quatro gols pior no novo estádio. Ter mais posse parece expor o time a perdas de bola em áreas perigosas, algo que não acontece tanto quando jogam de forma mais direta como visitantes.
O dérbi como ponto de virada
No futebol, especialmente na reta final da temporada, costuma-se dizer que cada jogo é uma final de copa. Para Moyes e o Everton, talvez o lema deva ser adaptado: jogue cada partida como se fosse fora de casa. Isso começa no dérbi contra o Liverpool, neste domingo. Se conseguirem aplicar essa mentalidade, há grandes chances de Moyes realizar o que parecia impossível no início da campanha: trazer o futebol europeu de volta ao lado azul de Merseyside.
