Do Reinado de Glórias ao Turbilhão: Por Que o São Paulo Virou Fábrica de Demissões de Técnicos

Instabilidade Política e Crises: O São Paulo Antes da Chegada do Próximo Comandante
Roger Machado durou exatos dois meses e um dia à frente do São Paulo antes de ser dispensado. Essa saída, influenciada por disputas políticas e problemas acumulados ao longo de várias administrações, reflete um padrão preocupante no clube do Morumbi.
Das Conquistas Épicas à Queda Livre
No início dos anos 2000, o São Paulo era conhecido como o "Soberano". Com três Mundiais, três Brasileiros seguidos entre 2006 e 2008, e uma geração de craques, o Tricolor servia de exemplo em gestão, base forte e estrutura moderna. Enquanto rivais enfrentavam turbulências, o clube exportava talentos para a Europa e era referência global.
Tudo mudou na década seguinte. O último troféu continental foi a Sul-Americana de 2012. Depois disso, vieram derrotas amargas, dívidas crescentes e brigas nos corredores de poder. A era de Juvenal Juvêncio, que liderou os anos vitoriosos, acabou em desgaste: ele alterou o estatuto para estender mandatos, centralizando o comando e freando renovação.
Alexandre Giesbrecht, historiador e autor de "Anotações Tricolores", aponta o terceiro mandato de Juvenal como o marco da crise. "Ele demitiu Muricy alegando que títulos vinham da estrutura, mas concentrou poder como se fosse o único capaz", resume. Antes, mandatos mais curtos promoviam rotatividade e coincidiram com o auge histórico do clube.
Nos anos finais de Juvenal, o rodízio de técnicos já era evidente: Ricardo Gomes, Carpegiani, Adilson Batista, Leão, Ney Franco e retornos de Muricy. A estabilidade, outrora trunfo, evaporava.
Aidar: Promessas e Colapso
Em 2014, Carlos Miguel Aidar prometeu modernização, mas enfrentou escândalos, traições e renúncia em 2015. No gramado, o caos se instalou: Muricy saiu, Osorio ficou pouco (26 jogos) e reclamou da interferência política ao ir para o México, Dorival foi interino e Bauza chegou depois.
Osorio foi claro: "Não me avisaram das vendas de jogadores. Com elenco completo, vencíamos; sem ele, caímos". Entre 2015 e 2017, seis técnicos passaram: Muricy, Osorio, Dorival, Bauza, Ricardo Gomes e Rogério Ceni. O São Paulo entrou no ranking de clubes com mais trocas no Brasil.
Leco: Transição ou Mais Conflitos?
Leco assumiu como interino, mas lidou com oposição feroz e clima eleitoral permanente. Edgardo Bauza foi à semi da Libertadores-2016, mas partiu para a Argentina; vieram Ricardo Gomes e Ceni, ídolo que caiu rápido. Em 2017, o time flertou com o rebaixamento, salvo por Dorival. Aguirre liderou em 2018, e Diniz fechou a era em 2020.
Casares: Títulos Amidst o Caos
Julio Casares venceu em 2020 com esperanças renovadas. O Paulista-2021 e a Copa do Brasil-2023 quebraram jejuns, mas política explodiu: impeachment, polícia, desvios e camarotes irregulares. Técnicos rodaram: Crespo (campeão paulista, demitido meses depois), Ceni, Dorival (sucesso antes da Seleção), Carpini (aposta falha), Zubeldía (com torcida contra) e novo Crespo.
Roger Machado veio como protetor, mas saiu em atrito com a torcida, vítima de um ciclo vicioso. O novo comandante herda um clube com diretoria instável, presidente pressionado, vagas chave abertas e tensão no Conselho.
Receba as principais notícias no seu e-mail
Uma seleção curada dos melhores artigos, direto na sua caixa de entrada. Sem spam.



