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Estrangeiros dominam elencos do Brasileirão e limitam chances de jovens das bases

8 de maio de 20263 min de leituravia Rafael Souza
Estrangeiros dominam elencos do Brasileirão e limitam chances de jovens das bases — Futebol

Aumento de sul-americanos reduz oportunidades para revelações locais

Nos últimos anos, o futebol brasileiro registrou um boom de contratações de atletas estrangeiros, o que elevou o limite de relacionados por partida na Série A para nove. Isso tem comprimido o espaço nos times para garotos promovidos das categorias de base. De acordo com dados do Lance!, somente Cruzeiro e Santos, entre os 20 clubes da elite, concederam mais tempo em campo a jogadores formados em casa do que a nascidos no exterior. Ao focar apenas em atletas sub-23 – excluindo veteranos como Fabrício Bruno e Neymar –, nenhum time cumpriu essa marca.

Athletico-PR lidera no uso da base, Inter na preferência por gringos

Em média, os elencos da Série A destinam mais que o dobro de minutos a estrangeiros em relação aos produtos das próprias divisões inferiores. Esse fenômeno reflete o salto de qualidade das ligas nacionais, graças ao abismo financeiro em relação a outros torneios sul-americanos.

O Athletico-PR se destaca como o mais fiel às suas joias: 35,46% do total de minutos no Brasileirão 2026 foram preenchidos por formados no clube. Já o Internacional lidera no tempo para estrangeiros, com 49,69%. Os números consideram jogos até 30 de abril de 2026 e calculam a porcentagem sobre o total de minutos dos jogadores do time. 'Formados' inclui quem passou pela base do atual clube, sem restrição de idade.

Especialistas debatem impactos na formação e na Seleção

A pressão por vitórias imediatas impulsiona clubes a priorizarem reforços prontos. Empresário Guilherme Momensohn aponta que contratações internas custam mais em transferências e salários, favorecendo sul-americanos. Coordenador de base do Palmeiras, João Paulo Sampaio, alerta para o risco: o Brasil, maior exportador de talentos, perde na transição ao importar jogadores de ligas menores.

Contraponto vem de Alfredo Almeida, chefe da base do Flamengo: estrangeiros elevam o nível, forçando melhorias internas. Técnico sub-20 do Atlético-MG, Henrique Teixeira, vê saldo positivo na competitividade que acelera o amadurecimento dos jovens.

Kaiki Bruno brilha entre os destaques sub-23

Protagonismo de base em gigantes é raro, mas nomes como Kaiki Bruno (Cruzeiro), Breno Bidon (Corinthians), Evertton Araújo (Flamengo) e Allan (Palmeiras) romperam barreiras. Kaiki lidera minutos entre sub-23 formados no clube, seguido por Lucas Ronier, Arthur Dias (Athletico-PR), Cauan Barros, Breno Bidon (Corinthians), John Kennedy (Fluminense) e Gabriel Bontempo (Corinthians).

Globalmente, ligas ricas atraem talentos externos. FIFA discute obrigatoriedade de um jogador de base em campo. Gerente de base do Atlético-MG, Luiz Carlos Azevedo, defende processos de integração equilibrados.

Vendas para Europa e valores de promessas

Clubes brasileiros lucram com exportações: Endrick (Real Madrid, €45 mi + bônus), Vitor Roque (Real Madrid, €35 mi + bônus), entre tops dos últimos 10 anos. Sub-23 mais valiosos: Vitor Roque (€38 mi), Breno Bidon (€22 mi, Corinthians), Gabriel Mec (€16 mi), outro (€15 mi), mais (€12 mi).

Botafogo usou mais estrangeiros (13), mas com menos minutos; Athletico-PR domina minutos de base (9 atletas), Santos usa mais crias (11), mas 27,2% do tempo, atrás de Grêmio.

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