Futebol

Estudante vascaíno de 18 anos acusa PM após perder visão em olho com bala de borracha no Maracanã

4 de maio de 20262 min de leituravia Rafael Souza
Estudante vascaíno de 18 anos acusa PM após perder visão em olho com bala de borracha no Maracanã — Futebol

Jovem relata trauma em confusão pós-clássico Fla-vas

No empate entre Flamengo e Vasco pelo Campeonato Carioca, disputado no último domingo (3), um torcedor cruzmaltino viveu um pesadelo fora do Maracanã. Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, de 18 anos e aluno de nutrição na UERJ, foi atingido por uma bala de borracha no olho direito durante tumultos envolvendo a polícia, logo após o apito final.

Tensão desde o estádio até a saída

A rivalidade do clássico já esquentava dentro do estádio, com relatos de gás lacrimogêneo contra a torcida. Do lado de fora, a cavalaria policial avançava sobre os torcedores que tentavam dispersar pela saída Sul. Arthur e seus amigos se protegiam atrás das grades, mas a situação piorou com PMs a cavalo e agentes do Bepe (Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios) forçando a evacuação.

"Os policiais empurravam os cavalos e usavam cassetetes contra quem estava na grade à minha frente. Ao me virar para checar os amigos, levei o disparo no olho", descreveu o jovem ao Lance!.

Negligência policial e luta por socorro

Com sangramento intenso, Arthur pediu ajuda aos próprios policiais, mas foi ignorado. Um PM do Bepe o mandou "se virar sozinho", e uma ambulância privada no local não obteve autorização para transportá-lo. O SAMU prometia espera de duas horas, impossível no estado dele. Com curativo improvisado, pegou um táxi sozinho até o Hospital Miguel Couto, na Zona Sul, mas precisou seguir para o Souza Aguiar, no Centro.

Exames revelaram fraturas na face, danos graves no globo ocular direito e lesões no canal lacrimal. Oftalmologistas alertaram para perda permanente da visão nesse olho.

Cirurgias e críticas à repressão

Internado em clínica particular, Arthur aguarda cirurgias nesta segunda (4) para reparar fraturas no nariz e ossos orbitais, além de correções estéticas. Sem garantias de recuperação visual, ele enfatiza: "Não briguei, só me abrigava. Poderia ter sido uma criança ou idoso. Ninguém merece isso em meio a famílias no estádio".

O Bepe não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O caso expõe novamente os riscos da violência policial em eventos de futebol no Rio.

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