Globo mira o maior pacote comercial da história do futebol feminino com a Copa de 2027

A apresentação do pacote comercial da Globo para a Copa do Mundo Feminina de 2027 ainda ecoava na sala quando os executivos já apontavam os primeiros números. A emissora quer transformar o torneio sediado no Brasil no maior projeto já montado para a modalidade.
O plano vai além das transmissões. A estratégia inclui jornalismo, dramaturgia, séries e conteúdos especiais que vão acompanhar o evento de junho a julho de 2027. Uma das apostas é a novela das seis “Dias de Glória”, que estreia em junho daquele ano e conta a história de uma mulher que tenta jogar futebol nos anos 1940.
O interesse declarado do público brasileiro sustenta a ousadia. Pesquisa interna do Grupo Globo mostrou que 62% dos brasileiros afirmam ter interesse pelo futebol feminino e 60% pretendem acompanhar a Copa de 2027. Esses dados foram apresentados ao mercado publicitário na quinta-feira (30) e servem de base para o pacote mais valioso já oferecido na modalidade no país.
Prioridade é dada aos parceiros da Fifa, mas não há limite de patrocinadores. Fontes ouvidas pela coluna indicam que o plano reserva aos anunciantes exposição desde o sorteio dos grupos, marcado para dezembro, com direito a presença na TV aberta antes mesmo do início do torneio.
A cobertura das 64 partidas será completa. O SporTV transmite todos os jogos, a CazéTV exibe a competição na íntegra e de forma gratuita no YouTube, e o Globoplay reúne as transmissões da TV Globo, SporTV e ge TV para assinantes, além de programação especial. Até 56 jogos devem ir ao ar na TV aberta, número superior aos 54 da Copa masculina de 2026.

O torneio acontece entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, primeira edição na América do Sul. As sedes são Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O Maracanã recebe a abertura e a final.
A decisão de investir pesado agora reflete o crescimento da modalidade no Brasil. Desde a Copa de 2019, o interesse por transmissões femininas aumentou, e a Globo já testa formatos que misturam entretenimento e esporte. A novela “Dias de Glória” é o exemplo mais claro dessa aposta: uma trama que mistura ficção e história para atrair quem ainda não acompanha os gramados.
No mercado publicitário, a ausência de teto de patrocinadores abre espaço para diferentes perfis de marca. Enquanto grandes empresas buscam associação com a Fifa, anunciantes menores podem entrar em ações pontuais, especialmente em conteúdos digitais e programas especiais. A estratégia busca diversificar receita sem diluir a visibilidade dos parceiros principais.
A reta final de 2026 já traz preparativos. A CBF confirmou amistosos da Seleção Brasileira contra Austrália e Índia entre setembro e outubro, jogos que servem de vitrine para jogadoras que vão disputar a Copa em casa. Esses confrontos ajudam a manter o embalo da modalidade e a preparar o público para o que vem em 2027.
A Globo também planeja usar a competição para fortalecer o ecossistema de plataformas. O ge TV, o SporTV e o Globoplay vão dividir espaço com a TV aberta, criando diferentes janelas de consumo. Essa integração permite que o torcedor escolha como acompanhar os 64 jogos, desde o celular até a tela grande.
O impacto esperado vai além dos números de audiência. Com o Brasil como sede, a Copa de 2027 pode acelerar o desenvolvimento do futebol feminino em bases e competições nacionais. A visibilidade gerada pelo pacote comercial da Globo tende a atrair mais investimentos de clubes e patrocinadores locais nos próximos anos.
A apresentação ao mercado publicitário foi apenas o primeiro passo. Nos próximos meses, a emissora deve detalhar as janelas de transmissão na TV aberta e as ações especiais que vão acompanhar o sorteio dos grupos em dezembro. O objetivo é claro: transformar a Copa Feminina de 2027 no maior evento da modalidade já realizado no país.
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