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GP do Japão: Aston Martin enfrenta crise na casa da Honda enquanto Alonso e Stroll se preparam para fim de semana desafiador em Suzuka

5 de abril de 20267 min de leituravia F1
GP do Japão: Aston Martin enfrenta crise na casa da Honda enquanto Alonso e Stroll se preparam para fim de semana desafiador em Suzuka

A Aston Martin está vivendo um verdadeiro pesadelo às vésperas do Grande Prêmio do Japão, a corrida de casa de sua fornecedora de motores, a Honda. Enquanto Fernando Alonso e Lance Stroll se preparam para um fim de semana complicado no icônico circuito de Suzuka, os problemas dentro e fora das pistas se acumulam, deixando os fãs da equipe britânica preocupados com o futuro.

Nem Alonso nem Stroll conseguiram ver a bandeira quadriculada nas duas primeiras corridas da temporada, e a Aston Martin luta para não ser a mais lenta nas classificações, disputando o fundo do grid com a novata Cadillac. Fora das pistas, rumores sobre a posição de Adrian Newey como chefe técnico também ganham força, com especulações sobre uma possível substituição no comando da equipe. Lawrence Stroll, co-proprietário da escuderia, fez questão de esclarecer a situação na última sexta-feira, afirmando que a estrutura de liderança da Aston Martin é intencionalmente diferente, com Newey focado na liderança técnica e estratégica, apoiado por uma equipe sênior altamente qualificada.

Vibrações: o grande vilão da Aston Martin

Os problemas não se limitam aos bastidores. Nas pistas, vibrações severas provenientes da unidade de potência da Honda têm sido a principal dor de cabeça da equipe. As novas regulamentações de motores para 2026 trouxeram maior instabilidade, algo que a Aston Martin ainda não conseguiu superar. Durante os testes de pré-temporada, o carro literalmente parou devido às vibrações, e a Honda enfrenta limitações com baterias, reduzindo a quilometragem que os pilotos conseguem completar.

Na última corrida, na China, Alonso foi visto tirando as mãos do volante nas retas, aparentemente por desconforto causado pelas vibrações, antes de abandonar a prova após 32 voltas. “Senti mais vibrações do que em qualquer outra sessão do fim de semana. Fisicamente, não consegui continuar por muito tempo. Perdi a sensibilidade nas mãos e nos pés. Não foi uma sensação agradável”, desabafou o espanhol. Newey chegou a alertar sobre o risco de “danos neurológicos permanentes” aos pilotos devido à intensidade do problema antes do GP da Austrália, que abriu a temporada.

A Honda tem trabalhado intensamente em sua base no Japão, em Sakura, testando motores no dinamômetro para identificar a origem das vibrações. “Melhoramos o problema do lado dos sistemas, mas ainda é uma questão de conforto para os pilotos. É uma área prioritária para resolvermos antes da próxima corrida no Japão”, afirmou Shintaro Orihara, gerente geral e engenheiro-chefe da Honda na pista.

Vale destacar que Alonso não estará presente no dia de mídia do GP do Japão nesta quinta-feira devido ao nascimento de seu primeiro filho. Jak Crawford assumirá o carro na primeira sessão de treinos livres de sexta-feira, mas a equipe garantiu que o espanhol chegará a tempo para as atividades principais no circuito.

Quanto tempo até a Aston Martin se recuperar?

A Honda enfrenta um desafio extra por ser fornecedora exclusiva da Aston Martin. Enquanto fabricantes como Mercedes, Ferrari e Red Bull-Ford contam com pelo menos duas equipes para coletar dados e aprimorar suas unidades de potência, a Honda depende apenas dos resultados da Aston Martin. Isso é uma vantagem quando tudo vai bem, permitindo que o chassi seja projetado sob medida para o motor, mas torna a recuperação muito mais difícil em momentos de crise — algo que a Honda já vivenciou em sua parceria com a McLaren entre 2015 e 2017.

Alonso, que pilotou pela McLaren naquela época, reconhece a dificuldade: “Ainda temos muitos problemas e questões desconhecidas surgindo dia após dia, do nada. Parece que ainda não dominamos as dificuldades, então é difícil prever quando teremos um fim de semana normal. Mas estamos nos esforçando, temos profissionais de altíssimo nível e pessoas talentosas na equipe. Espero que, em algumas corridas, possamos ter um fim de semana tranquilo, ao menos para completar as sessões. Para sermos competitivos, acredito que levará mais tempo, porque, mesmo resolvendo a confiabilidade, estaremos atrás em potência.”

Uma esperança para a Honda está nas três janelas de Oportunidades de Desenvolvimento e Atualização Adicionais (ADUO) durante a temporada, destinadas a equipes que estejam pelo menos 2% atrás do melhor motor de combustão interna. A primeira janela está prevista para após a sexta etapa, em Mônaco, em junho, embora possa ser ajustada devido aos cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita em abril. No entanto, o teto de gastos da Fórmula 1 limita as possibilidades de solução rápida, como destacou David Croft, da Sky Sports F1: “Resolver um problema como esse exige um redesign da unidade de potência, o que pode demandar um carro B-spec. Talvez vejamos isso em Silverstone, em julho. Até lá, cada esforço para melhorar a confiabilidade tira o foco da performance. É uma preocupação enorme para todos na Aston Martin.”

Frustração de Alonso e futuro incerto

As expectativas para 2026 eram altíssimas na Aston Martin, com apostas em um possível terceiro título mundial de Alonso e uma disputa pelo campeonato após 14 anos. Uma nova fábrica e um túnel de vento de última geração em Silverstone mostravam o comprometimento de Lawrence Stroll em levar a equipe ao topo. No entanto, o início desastroso da parceria com a Honda deixou Alonso em um estado mental difícil, segundo Newey.

O espanhol, cujo contrato com a equipe expira no fim deste ano, completará 45 anos no verão europeu. Ele já declarou que o desempenho do carro de 2026 será crucial para decidir se continuará na Fórmula 1. “Quero vencer, como todos os 22 pilotos deste ano. Apenas um vence, e os outros 21 ficam em uma situação mental difícil. Para mim, terminar em terceiro, quinto ou 17º não faz muita diferença. Tive sorte de viver diferentes eras na F1, me divertir pilotando e ter carros competitivos por metade da minha carreira, conquistando mais de 100 pódios. Agora, terminar em qualquer posição que não seja a primeira é a mesma dor. Estamos nessa jornada com a equipe, que não começou da forma ideal, mas é o primeiro ano dessa colaboração com a Honda. Estou pronto para ajudar o quanto puder”, afirmou Alonso.

O que esperar da Aston Martin em 2026?

Os cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita podem ser uma bênção para a Aston Martin, proporcionando um intervalo de cinco semanas entre o GP do Japão e a próxima corrida, em Miami, de 1 a 3 de maio. Outro intervalo de três semanas após Miami dá à Honda tempo para, pelo menos, garantir que ambos os carros completem as corridas. Atualmente, a equipe reduz as rotações do motor para minimizar as vibrações, então o primeiro objetivo é permitir que os pilotos usem maior potência, o que traria um salto imediato de performance.

Até agora, nem Stroll nem Alonso passaram da primeira fase da classificação, ficando a um segundo de avançar para o Q2 na China — uma diferença significativa na F1. A meta para o meio da temporada é ter pelo menos um carro no Q2, e talvez buscar pontos nas etapas finais do ano. Newey mantém os pés no chão: “Sendo realista, esta temporada é, antes de tudo, resolver o problema das vibrações para termos confiabilidade. Depois, veremos quanto desempenho podemos adicionar ao motor de combustão. Ao mesmo tempo, a Honda precisa começar a trabalhar no motor de 2027, porque é evidente que precisamos de um grande salto em potência para aquele ano.”

O circo da Fórmula 1 chega a Suzuka para o GP do Japão neste fim de semana, e os olhos dos fãs brasileiros estarão atentos para ver se a Aston Martin consegue dar o primeiro passo rumo à recuperação. Vamos torcer por dias melhores para Alonso e cia!

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