Inglaterra quer acabar com a malandragem de goleiros que param o jogo para dar tempo ao treinador

O lance que reacendeu a polêmica
No minuto 8 daquele United x Newcastle, Aaron Ramsdale caiu no chão depois de um toque de Lewis Hall. Luke Shaw já corria para o lateral para cobrar o arremesso. O jogo parou. Gary Neville não engoliu: "Eddie Howe mandou parar". O momento virou símbolo do que muita gente reclama há anos na Premier League.
Agora as principais ligas inglesas resolveram agir. A partir da próxima temporada, quem o árbitro chamar o fisioterapeuta para atender o goleiro vai ter de tirar um jogador de linha por pelo menos um minuto. Se o técnico não escolher ninguém em dez segundos, o capitão sai. Simples assim.
A medida foi aprovada pelo IFAB depois de acordo entre Premier League, EFL, WSL, FA, National League e Pro Ref. A ideia é acabar com a vantagem esportiva que a parada traz. Lesão de verdade continua recebendo atendimento, mas a malandragem para reorganizar a equipe ou passar instruções táticas perde o sentido.

Por que a regra surgiu agora
Na temporada passada aumentou a sensação de que goleiros caíam de propósito em momentos chave. Daniel Farke acusou Gianluigi Donnarumma de simular contra o Leeds. Fabian Hurzeler reclamou de David Raya. Os próprios comentaristas, como Neville, passaram a apontar o dedo para ordens vindas da beirada do campo.
O problema não é só estético. Cada parada quebra o ritmo da partida, tira o embalo do time que está atacando e dá fôlego para quem está sendo pressionado. Em uma competição tão equilibrada como a Premier League, onde vários clubes brigam por vaga na Champions ou lutam contra o rebaixamento, esses segundos roubados podem mudar o resultado.
Como vai funcionar na prática
O protocolo é claro. Quando o árbitro autoriza a entrada do médico, o treinador tem dez segundos para indicar um jogador de campo. Esse atleta fica fora por no mínimo sessenta segundos após o reinício. Se ninguém for escolhido, o capitão deixa o gramado automaticamente. A regra vale tanto para o futebol masculino quanto para o feminino e já foi testada em outras competições, como a Copa do Mundo, com bons resultados.
A Pro Ref destacou que a iniciativa reforça o compromisso com a fluidez do jogo sem comprometer a segurança dos atletas. O ensaio começa já na fase preliminar da Carabao Cup e vai ser acompanhado ao longo de toda a temporada 2026/27.
O impacto tático e na tabela
Imagine um time que está perdendo por 1 a 0 nos acréscimos, todo mundo no campo adversário. O goleiro cai, o jogo para, o treinador consegue reorganizar a defesa e ainda tirar um atacante do adversário por um minuto. Essa vantagem some com a nova regra. Quem gosta de jogo rápido, de pressão alta e de transições velozes sai ganhando.
Clubes que vivem da intensidade, como os que brigam no meio da tabela ou sonham com vaga europeia, devem comemorar. Já quem costuma usar a malandragem para frear o ritmo do oponente vai precisar de outros recursos.
Monitoramento constante
As entidades vão avaliar os números de paradas, o tempo real de bola rolando e a opinião de jogadores e técnicos. Se a medida funcionar, pode virar regra definitiva. Se gerar confusão, volta para a prancheta. O importante é que o futebol inglês está disposto a testar algo concreto em vez de só reclamar.
A mudança não resolve todos os problemas de tempo perdido, mas ataca um ponto específico que irritava muita gente. Goleiro que realmente se machucou continua sendo atendido. Quem só queria dar um tempo para o treinador vai pensar duas vezes antes de cair. O recado está dado: na Inglaterra, a malandragem táctica de goleiro agora tem preço.
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