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James Milner reflete sobre 24 anos de transformações no futebol inglês: de Venables a Guardiola

30 de abril de 20263 min de leituravia Ana Beatriz Santos
James Milner reflete sobre 24 anos de transformações no futebol inglês: de Venables a Guardiola — Futebol

Uma Visita Inusitada ao 'Pior Time' do País

James Milner, aos 40 anos e detentor do recorde de partidas pela Premier League, comandou recentemente uma sessão de condicionamento físico no Warley FC, time considerado o pior da Inglaterra após terminar em último na terceira divisão da liga de futebol amador de Brentwood. Apesar da surpresa cultural – ele confessou nunca ter provado um kebab –, o veterano do Brighton curtiu a experiência e aproveitou para comparar as eras do futebol profissional que viveu ao longo de duas décadas e meia.

Diferenças Físicas e Mentais

Milner destaca como a pré-temporada mudou radicalmente. Antigamente, as sessões eram brutais, parando só quando alguém vomitava, o que forjava resiliência mental e união no grupo. Hoje, com gramados perfeitos e menos tackles violentos, o jogo exige mais sprints, mas é menos agressivo fisicamente. Como ponta inicial, ele lembra dos carrascos laterais que derrubavam os atacantes sem punição, algo impensável agora.

No vestiário, o ambiente era mais rude, com brincadeiras pesadas, mas sem a pressão das redes sociais. "Se não quisesse ler críticas, bastava ignorar o jornal", diz. Líderes como ele adaptam abordagens: uns precisam de bronca, outros de apoio.

Melhores e Piores Profissionais

Entre os mais dedicados, ele cita Mohamed Salah e Jordan Henderson, exemplos de consistência diária. Já Sergio Agüero e Daniel Sturridge, gênios talentosos, podiam aparecer desleixados e ainda brilhar. "Não há fórmula única", enfatiza Milner, que jogou sob Terry Venables, Sir Bobby Robson, Sam Allardyce, Manuel Pellegrini, Jürgen Klopp, Roberto De Zerbi e o jovem Fabian Hürzeler, nove anos mais novo.

Evolução Tática e Influências

O futebol não avança em linha reta, mas em ciclos, segundo ele: marcação homem a homem e pressão alta são modas passageiras. A chegada de Pep Guardiola em 2016 revolucionou tudo, junto com gramados ideais que mudaram os goleiros – no Brighton, Jason Steele até poderia atuar como volante.

De Zerbi o ensinou detalhes posicionais e timing de movimentos, refinando conceitos que ele já usava intuitivamente. Hoje, reuniões táticas são mais detalhadas, mas Milner questiona se isso reduz a capacidade de improvisação em campo. Jogadores hesitam em rearranjar sozinhos, preferindo ordens do treinador.

Legado e Futuro

Sempre priorizando o coletivo, Milner sacrificou posições ideais pela equipe, como lateral-esquerdo no Liverpool, ajudando a valorizar Andy Robertson. Formado no Leeds, ele absorvia táticas de todos os setores, o que prolongou sua carreira.

Com confiança total de Hürzeler, que o integrou mesmo lesionado, ele possui licenças de treinador e se interessa pela área, apesar da pressão insana. Sua adaptabilidade prova que Milner está pronto para qualquer mudança que o jogo traga.

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