Jeanie Buss recorre à Justiça para barrar venda da fatia dos Buss nos Lakers

A advogada de Jeanie Buss enviou carta formal contestando qualquer decisão dos irmãos de vender a participação restante da família nos Los Angeles Lakers. O movimento ocorre dias depois de cinco dos seis irmãos Buss votarem a favor da venda dos 17,8% que ainda pertencem ao trust familiar.
Jeanie, que comanda o time desde a morte do pai Jerry Buss em 2013, alega que a transação viola ordem judicial de 2017. Essa decisão a nomeou controlling owner e determinou que ela mantenha pelo menos 15% do capital para continuar no cargo. O advogado Adam Streisand deixou claro que qualquer voto dos co-trustees sem sua aprovação é nulo e pode configurar quebra de confiança.
A disputa reacende antigas tensões entre os irmãos. Desde a morte de Jerry Buss, que comprou a franquia em 1979, a família viveu conflitos públicos. Jeanie afastou Jim do comando de basquete em 2017 e enfrentou tentativa de remoção do cargo. Mais recentemente, Joey e Jesse perderam cargos no front-office em novembro do ano passado. Agora, a venda do controle majoritário para Josh Kushner e Bob Iger, avaliada em US$ 12,5 bilhões, pode encerrar de vez a era Buss no comando.
Kushner e Iger já fecharam acordo com Mark Walter para ficar com cerca de 65% do time. Se também comprarem a fatia dos Buss, chegarão a 83%. O negócio estabelece novo recorde de avaliação para uma franquia esportiva profissional. Para Jeanie, porém, o preço alto não compensa a perda do controle que ela garantiu até 2030 no acordo anterior com Walter.
A NBA ainda precisa aprovar a transação, processo que costuma levar meses. Enquanto isso, a família Buss publicou comunicado defendendo a venda como saída “elegante”. Jeanie, por sua vez, usa a Justiça para impedir que a decisão dos irmãos retire dela o posto de controlling owner. O embate mostra como questões familiares podem influenciar o futuro de uma das maiores franquias da NBA.

O histórico recente dos Lakers reforça a importância da estabilidade no comando. Após a venda parcial para Walter em 2021, o time manteve Jeanie como rosto público e garantiu continuidade no projeto esportivo. Qualquer mudança abrupta pode afetar contratações, renovações e até o moral do elenco em uma temporada já marcada por pressão por títulos.
Além disso, a entrada de investidores como Bob Iger, ex-CEO da Disney, e Josh Kushner traz novas dinâmicas de mercado. Ambos têm experiência em grandes negócios e podem acelerar decisões comerciais, mas a NBA exige que o controlling owner detenha participação mínima para evitar instabilidade. A briga atual testa exatamente esse limite.
A repercussão no basquete americano é imediata. Outras franquias observam como a NBA vai mediar o conflito entre ordem judicial e vontade majoritária dos herdeiros. Para os torcedores de Los Angeles, o risco é ver a franquia mudar de mãos sem que a figura que representa a continuidade desde os anos 1970 consiga impedir.
O valor da transação também chama atenção. US$ 12,5 bilhões superam qualquer venda anterior e refletem o crescimento do valor das equipes da NBA. Ainda assim, Jeanie Buss prioriza manter o controle sobre o aspecto esportivo, algo que o acordo com Walter havia protegido até 2030. O desfecho dependerá de decisões judiciais e da aprovação final da liga.

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