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R$ 2 milhões em honorários: Juventus vira alvo de investigação por desvios

Por Rafael Mendes18 de agosto de 20263 min de leitura
R$ 2 milhões em honorários: Juventus vira alvo de investigação por desvios — Futebol

R$ 2 milhões em honorários advocatícios concentraram as atenções da Polícia Civil no Juventus de São Paulo. O clube centenário, que enfrentou longos anos de aperto financeiro, passou a receber recursos expressivos após a venda da SAF há cerca de dez meses e também por meio de um contrato de locação com a escola bilíngue Maple Bear. A investigação apura se parte desses valores foi desviada por dirigentes e intermediários.

O presidente Tadeu Deradeli e o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Eduardo Gomes Pedroso, são os principais nomes citados nas denúncias. Ambos negam irregularidades, mas a Corregedoria da Polícia Civil conduz o inquérito justamente porque Pedroso é escrivão e teria usado o cargo para intimidar opositores. Relatos indicam que ele portava armas em reuniões e afastou conselheiros de forma arbitrária, o que ampliou as suspeitas de uso indevido de poder.

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O caso ganhou contornos pessoais quando o advogado Guilherme Rodrigues, que atuava nas negociações, apresentou planilhas e comprovantes à polícia. Segundo ele, os honorários seriam divididos em três partes iguais entre Deradeli, Pedroso e o casal de advogados formado por ele e Luma Zaffarani. A separação do casal em março de 2026, motivada por suposta traição de Luma com Pedroso, trouxe à tona mensagens, imagens de câmeras de segurança e o depoimento de uma testemunha que confirmou o relacionamento paralelo. Luma nega tanto a infidelidade quanto qualquer repasse de valores aos dirigentes.

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Desvios apontados

Na venda da SAF, o clube social teria direito a R$ 20 milhões, enquanto a estrutura de honorários ficaria com R$ 2 milhões. Em dezembro do ano anterior, o Juventus pagou R$ 900 mil em honorários; Carlos Eduardo teria recebido R$ 341,2 mil em espécie e Tadeu Deradeli, R$ 224 mil. Outro pagamento de R$ 350 mil ocorreu em maio de 2026, mas Guilherme já estava fora da divisão após o fim do relacionamento. No contrato com a Maple Bear, que previa R$ 3 milhões ao longo de 20 anos, houve antecipação de R$ 500 mil em abril, dos quais R$ 369 mil teriam ficado com Luma e Carlos, R$ 106 mil com Tadeu e R$ 25 mil com Guilherme.

O episódio ilustra o momento delicado que muitos clubes brasileiros vivem após a aprovação da Lei da SAF. Recursos que chegam de uma vez só para quitar dívidas antigas acabam sob forte fiscalização interna e externa. No caso do Juventus, a chegada do dinheiro reacendeu disputas políticas antigas e colocou em xeque a transparência da gestão. A Corregedoria agora precisa cruzar os comprovantes bancários, os saques em espécie e os depoimentos para definir se houve crime ou apenas rachas mal documentados entre advogados e dirigentes.

Enquanto isso, o clube tenta manter o foco em campo e nas categorias de base, seu tradicional celeiro de talentos. A torcida, acostumada a ver o Juventus sobreviver a crises, agora acompanha de perto se a investigação vai paralisar ou acelerar as reformas prometidas com o aporte da SAF. A Polícia Civil segue coletando documentos e oitivas, sem prazo definido para conclusão. O desfecho pode afetar não apenas os envolvidos, mas também a credibilidade de futuras negociações de SAF no futebol paulista.

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