Reino Unido pode ter sua estrela na NBA em breve, diz John Amaechi

O basquete mundial vive uma transformação impressionante desde os tempos em que John Amaechi brilhava nas quadras da NBA. Se antes os Estados Unidos dominavam os prêmios de MVP e os pivôs se destacavam pela força física no garrafão, hoje vemos jogadores europeus redefinindo o jogo. Um exemplo é o francês Victor Wembanyama, que, com sua altura impressionante, arremessa de três pontos com a mesma naturalidade de um armador como Stephen Curry.
Na atual temporada, três dos quatro principais candidatos ao prêmio de Jogador Mais Valioso (MVP) da NBA são europeus: Wembanyama, Nikola Jokic e Luka Doncic. Jokic, aliás, vinha apresentando números impressionantes antes de sofrer uma lesão, enquanto Doncic também se destaca pela precisão nos arremessos. Juntos, eles competem com Shai Gilgeous-Alexander, do Oklahoma City Thunder, que venceu o prêmio no ano passado.
Para Amaechi, ex-jogador britânico, não há razão para que o Reino Unido não produza um talento capaz de rivalizar com essas estrelas. Em entrevista à Sky Sports, ele afirmou que o potencial genético no país é semelhante ao de nações como a França. 'O talento aqui é igual. Somos geneticamente idênticos a países como a França em termos de potencial', disse. No entanto, ele aponta barreiras significativas, como o alto custo para praticar o esporte e a falta de ensino adequado dos fundamentos do basquete.
Um futuro promissor com a NBA Europa
Amaechi também destacou a importância de criar uma liga profissional no Reino Unido que inspire jovens a enxergarem o basquete como uma carreira viável, e não apenas um hobby. Ele vê na expansão da NBA para a Europa, com o lançamento de uma nova liga masculina em parceria com a FIBA a partir do próximo ano, uma oportunidade de mudar esse cenário. 'Podemos criar comunidades inteiras em torno de times de basquete. Isso é algo que precisamos mais do que outros países', comentou.
A globalização do basquete, idealizada pelo ex-comissário da NBA David Stern há décadas, já mostra resultados. Quando Amaechi jogava, nenhum europeu havia conquistado o MVP. Hoje, nos últimos sete anos, cinco prêmios foram para jogadores do continente, como Giannis Antetokounmpo e Jokic. Para o britânico, a presença de jogos da NBA na Europa, como os realizados recentemente em Berlim e Londres, é um passo crucial para democratizar o acesso ao esporte.
Desafios e esperanças para o basquete britânico
Apesar do otimismo, Amaechi reconhece os desafios. 'O maior obstáculo é o custo de acesso ao esporte e a falta de caminhos claros para os jovens', afirmou. Ele acredita que a NBA Europa pode ajudar a superar essas barreiras, não apenas formando jogadores, mas também gerando oportunidades no negócio do esporte. Para ele, o futuro do basquete britânico depende de unir o rigor e a visão comercial da NBA com as particularidades culturais da Europa.
Por enquanto, Luol Deng permanece como o único britânico a ser selecionado para um All-Star Game da NBA, em 2012 e 2013, quando jogava pelo Chicago Bulls. Será que o Reino Unido conseguirá revelar um novo talento para brilhar no maior palco do basquete mundial? Amaechi acredita que sim, desde que as condições certas sejam criadas.
