Basquete

Reino Unido pode ter sua estrela na NBA em breve, diz John Amaechi

14 de abril de 20263 min de leituravia Ravi Silva
Reino Unido pode ter sua estrela na NBA em breve, diz John Amaechi

O basquete mundial vive uma transformação impressionante desde os tempos em que John Amaechi brilhava nas quadras da NBA. Se antes os Estados Unidos dominavam os prêmios de MVP e os pivôs se destacavam pela força física no garrafão, hoje vemos jogadores europeus redefinindo o jogo. Um exemplo é o francês Victor Wembanyama, que, com sua altura impressionante, arremessa de três pontos com a mesma naturalidade de um armador como Stephen Curry.

Na atual temporada, três dos quatro principais candidatos ao prêmio de Jogador Mais Valioso (MVP) da NBA são europeus: Wembanyama, Nikola Jokic e Luka Doncic. Jokic, aliás, vinha apresentando números impressionantes antes de sofrer uma lesão, enquanto Doncic também se destaca pela precisão nos arremessos. Juntos, eles competem com Shai Gilgeous-Alexander, do Oklahoma City Thunder, que venceu o prêmio no ano passado.

Para Amaechi, ex-jogador britânico, não há razão para que o Reino Unido não produza um talento capaz de rivalizar com essas estrelas. Em entrevista à Sky Sports, ele afirmou que o potencial genético no país é semelhante ao de nações como a França. 'O talento aqui é igual. Somos geneticamente idênticos a países como a França em termos de potencial', disse. No entanto, ele aponta barreiras significativas, como o alto custo para praticar o esporte e a falta de ensino adequado dos fundamentos do basquete.

Um futuro promissor com a NBA Europa

Amaechi também destacou a importância de criar uma liga profissional no Reino Unido que inspire jovens a enxergarem o basquete como uma carreira viável, e não apenas um hobby. Ele vê na expansão da NBA para a Europa, com o lançamento de uma nova liga masculina em parceria com a FIBA a partir do próximo ano, uma oportunidade de mudar esse cenário. 'Podemos criar comunidades inteiras em torno de times de basquete. Isso é algo que precisamos mais do que outros países', comentou.

A globalização do basquete, idealizada pelo ex-comissário da NBA David Stern há décadas, já mostra resultados. Quando Amaechi jogava, nenhum europeu havia conquistado o MVP. Hoje, nos últimos sete anos, cinco prêmios foram para jogadores do continente, como Giannis Antetokounmpo e Jokic. Para o britânico, a presença de jogos da NBA na Europa, como os realizados recentemente em Berlim e Londres, é um passo crucial para democratizar o acesso ao esporte.

Desafios e esperanças para o basquete britânico

Apesar do otimismo, Amaechi reconhece os desafios. 'O maior obstáculo é o custo de acesso ao esporte e a falta de caminhos claros para os jovens', afirmou. Ele acredita que a NBA Europa pode ajudar a superar essas barreiras, não apenas formando jogadores, mas também gerando oportunidades no negócio do esporte. Para ele, o futuro do basquete britânico depende de unir o rigor e a visão comercial da NBA com as particularidades culturais da Europa.

Por enquanto, Luol Deng permanece como o único britânico a ser selecionado para um All-Star Game da NBA, em 2012 e 2013, quando jogava pelo Chicago Bulls. Será que o Reino Unido conseguirá revelar um novo talento para brilhar no maior palco do basquete mundial? Amaechi acredita que sim, desde que as condições certas sejam criadas.