São Paulo supera Juventude, mas vaias da torcida expõem crise no Morumbi

Triunfo amargo: vitória sem aplausos no Tricolor
O São Paulo garantiu uma vantagem mínima ao bater o Juventude por 1 a 0 na ida das oitavas de final da Copa do Brasil, mas o clima no Morumbi foi de total insatisfação. Apesar do resultado favorável, que abre boas perspectivas para o jogo de volta, a torcida não perdoou e vaiou o time desde o início, mantendo a pressão sobre o técnico Roger Machado mesmo após o gol salvador de Luciano.
Pressão política e externa sufoca o desempenho
O descontentamento vai além do gramado e reflete a turbulência interna do clube. Críticas à diretoria, incluindo o presidente Rui Costa, misturam-se às reclamações contra o treinador, influenciadas por decisões como a contratação de Roger e a saída de Hernán Crespo. Torcedores organizados cobraram a demissão de um executivo na véspera do duelo, ampliando o ambiente hostil que acompanhou os 90 minutos.
Números positivos, mas finalizações ineficazes
Taticamente, o São Paulo foi dominante: controlou 68% da posse de bola, finalizou 19 vezes (seis no alvo), conquistou 13 escanteios e trocou 495 passes, com 68 ações no terço final, segundo o Sofascore. Jogadores como Arthur se destacaram pela consistência, e Luciano, autor do gol, foi um dos raros a receber aplausos em meio às vaias. No entanto, a equipe desperdiçou duas grandes chances, acertou a trave duas vezes e converteu só sete de 32 cruzamentos, revelando falhas na precisão.
Roger Machado cobra equilíbrio psicológico
O treinador reconheceu o impacto da pressão externa: "É essencial diferenciar o ambiente interno, que é saudável e unido, da tensão de fora, que afeta os atletas. Pedi calma ao grupo na Sul-Americana por causa disso. Com 33 anos de carreira, sei lidar com pressões, e sigo confiante na virada". Ele lamentou o 'sentimento de tristeza' ao deixar o campo e defendeu o foco no trabalho coletivo.
Desafios à frente para reconquistar a Fiel
O paradoxo é claro: o time vence, mas não empolga. Antes do retorno a Caxias do Sul em 13 de maio, o São Paulo enfrenta o Mirassol em Campinas pelo Brasileirão, onde o desempenho de Roger tem sido irregular. A missão agora é não só pontuar, mas reconectar com a torcida, transformando vaias em apoio para acalmar as águas turbulentas no clube.
