Tottenham: Hierarquia dos Spurs inicia transformação profunda independentemente da Premier League

Propriedade e Finanças
Desde 2022, quando Joe Lewis transferiu sua participação na ENIC para um trust familiar, seus filhos Vivienne e Charles Lewis, junto com o neto Nick Beucher, assumiram o controle do Tottenham. Com o time em baixa e protestos de torcedores contra a antiga diretoria, a família passou a acompanhar de perto a gestão do clube.
Após uma janela de transferências frustrada e a saída de Daniel Levy em setembro do ano passado, o executivo-chefe Vinai Venkatesham conduziu uma revisão interna profunda. O diagnóstico revelou um clube com estádio e centro de treinamento de alto nível, mas com prejuízos acumulados de cerca de 450 milhões de libras entre 2020 e a temporada anterior, além de dívidas crescentes e baixa moral interna.
A família Lewis injetou 100 milhões de libras no clube e planeja novas injeções de capital neste verão para equilibrar as contas, independentemente da divisão em que o Tottenham esteja na próxima temporada.
Estrutura Executiva
A nova liderança, comandada por Venkatesham, trouxe profissionais do City Football Group, como Rafi Moersen e Dan Lewindon, para reforçar operações de futebol e desempenho físico. Johan Lange continua como diretor esportivo, enquanto a contratação de Sébastien Kehl, ex-Borussia Dortmund, está em andamento.
O foco agora é reconstruir a cultura interna, melhorar o ambiente de trabalho e colocar o sucesso em campo no centro das decisões.
Problemas no Elenco e na Liderança
A revisão identificou falta de líderes naturais após a saída de Hugo Lloris, Harry Kane e Heung-min Son. Por isso, o clube busca jogadores como Andy Robertson e Conor Gallagher, valorizando não apenas qualidade técnica, mas também personalidade e capacidade de influenciar o vestiário.
O atual capitão, Cristian Romero, tem sido questionado internamente por instabilidade emocional e expulsões recorrentes, o que contrasta com o perfil de líderes que o clube deseja para o futuro.
Erros de Recrutamento e Mudança de Estilo
Nos últimos anos, a prioridade excessiva por atributos físicos gerou um elenco desequilibrado, com excesso de volantes defensivos e carência de criadores. A constante troca de treinadores desde a saída de Mauricio Pochettino agravou o problema.
Com Roberto De Zerbi no comando, o recrutamento passará a priorizar qualidade técnica alinhada ao estilo do treinador, além de maior flexibilidade salarial para competir com os principais clubes da Inglaterra.
Crise de Lesões e Reformulação Médica
Com 1.377 dias de ausência por lesão nesta temporada, o maior número da Premier League, o clube realizou auditorias independentes no departamento médico. Dan Lewindon assumiu a área de performance e comandará a reestruturação, cujos resultados devem aparecer gradualmente nos próximos meses.
Base e Caminhos para os Jovens
A academia, que já revelou talentos como Harry Kane, perdeu força após a saída de John McDermott em 2020. Com pouco tempo de jogo para garotos da base, o clube aumentou investimentos e contratou Simon Davies para revitalizar o setor, com foco em retorno ao alto nível.
Relacionamento com a Torcida e Cultura Interna
Protestos organizados contra a propriedade e o clima tóxico dentro do estádio exigem reconstrução de confiança. A nova diretoria pretende aumentar a comunicação com os torcedores e melhorar o ambiente corporativo em Lilywhite House e Hotspur Way.
Thomas Frank resumiu o desafio como virar um superpetroleiro: um processo lento, porém irreversível, segundo os donos do clube.
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