Tottenham na Zona de Rebaixamento: O Que De Zerbi Mostrou em Sua Estreia?

A estreia de Roberto De Zerbi no comando do Tottenham Hotspur foi um reflexo dos problemas crônicos que assolam o clube. Em um jogo fora de casa contra o Sunderland, os Spurs, já na zona de rebaixamento, sofreram mais uma derrota e não deram sinais de que podem escapar dessa situação delicada. O placar de 1 a 0, com um gol desviado de Nordi Mukiele, selou uma atuação apática e reforçou a narrativa de um time à beira do colapso na Premier League.
A decisão de contratar De Zerbi em meio a uma campanha desastrosa foi um risco calculado. Após quatro técnicos em apenas 12 meses, os mesmos problemas persistem, independentemente de quem esteja no banco. O Tottenham parece carecer de identidade tática, algo que o italiano, conhecido por sua filosofia de jogo marcante no Brighton, poderia trazer. No entanto, ficou evidente em Sunderland que o atual elenco não tem condições de executar as ideias do novo treinador.
Um Time Sem Direção
Com apenas um ponto conquistado em 24 possíveis, os Spurs vivem sua pior sequência sem vitórias na Premier League desde 1935. A cada rodada, a possibilidade de rebaixamento se torna mais real. Como destacou o comentarista Jamie Carragher, o Tottenham pode ser, atualmente, o candidato mais forte ao descenso, considerando a forma recente e a falta de confiança da equipe.
Na coletiva pós-jogo, De Zerbi admitiu que teve pouco tempo para implementar suas táticas, priorizando caráter, espírito e coragem. Mas, exceto por um início promissor de 10 minutos, o time não demonstrou nada disso. O Sunderland dominou as disputas, venceu mais duelos e foi superior na marcação, enquanto os Spurs, apesar de terem sete chutes ao gol, criaram apenas uma chance clara, desperdiçada por Dominic Solanke.
Falta de Criatividade e Decisões Questionáveis
De Zerbi tentou congestionar o meio-campo com Conor Gallagher, Lucas Bergvall e Archie Gray, buscando controle da posse de bola, mas o plano fracassou. O trio do Sunderland, liderado por Granit Xhaka, ditou o ritmo da partida, com o suíço registrando 85 toques na bola e 16 passes no terço final. Até o goleiro adversário, Robin Roefs, contribuiu mais ofensivamente do que os meio-campistas dos Spurs.
Outro ponto de crítica foi a decisão de deixar Xavi Simons no banco até os minutos finais. Com o time atrás no placar desde a marca dos 60 minutos, a entrada tardia do holandês levantou questionamentos sobre a gestão de jogo do treinador. Além disso, o lateral Pedro Porro foi a principal ameaça ofensiva, o que expõe a fragilidade do setor de ataque.
Um Futuro Incerto
O próximo desafio de De Zerbi será contra o Brighton, seu ex-clube, no Tottenham Hotspur Stadium. Após duas semanas para trabalhar com o elenco, espera-se alguma evolução, ainda que os recursos sejam limitados. Os Spurs não vencem na Premier League há quase quatro meses e, em 32 jogos em que saíram atrás no placar, não conseguiram reverter o resultado nenhuma vez.
A fragilidade emocional do time é evidente: qualquer revés parece suficiente para desestabilizar a equipe, como no gol de Mukiele, que desviou em Micky van de Ven e definiu a partida. Não há espaço para lamentações. Em uma luta pela sobrevivência, o Tottenham precisa transformar o medo do rebaixamento em combustível para reagir. De Zerbi tem um grupo de jogadores talentosos, mas cabe a ele extrair o melhor deles – e rápido.
