Três anos de contrato: Maresca assume o City após Guardiola

Na terceira passagem pelo Manchester City, Enzo Maresca chega com contrato de três anos para comandar o time a partir da temporada 2026-27. O italiano substitui Pep Guardiola, que deixou o cargo após o fim da campanha anterior, e assume um clube que busca manter o padrão de conquistas em meio a mudanças.
Maresca já conhece a casa. Atuou como treinador da base em 2020-21 e depois como auxiliar de Guardiola na temporada do treble em 2022-23. Agora, como comandante principal, ele herda um elenco equilibrado e talentoso, mas precisa imprimir sua marca em um momento de transição. O início de temporada oferece certo alívio: os três primeiros jogos são contra Bournemouth, Crystal Palace e Coventry City, uma sequência que permite ritmo inicial e retorno gradual dos jogadores que disputaram a Copa do Mundo até o fim.
Adaptação tática e o que muda no City
O estilo de Maresca guarda semelhanças com o de Guardiola, especialmente na posse de bola e na pressão alta. Porém, o novo treinador prefere um modelo mais expansivo, com pontas abertas e um 4-2-3-1 mais definido. Isso contrasta com a fluidez vista nos últimos anos em Manchester, onde defensores avançavam e meio-campistas rodavam para sobrecarregar o centro. A presença de um meia-atacante criativo ganha importância, e nomes como Phil Foden ou o recém-chegado Rayan Cherki podem ocupar essa função.
O elenco passou por renovação nos últimos mercados. A média de idade caiu de 29 para pouco mais de 25 anos, mas a saída de líderes como Bernardo Silva, John Stones e Kevin De Bruyne deixou um vazio de experiência. Rodri e Rúben Dias continuam como pilares, enquanto Erling Haaland assume maior responsabilidade na liderança dentro de campo. Reforços como Elliot Anderson, contratado por alto valor do Nottingham Forest, e o jovem Jeremy Monga chegam para dar robustez ao meio. A lista de pendências inclui lateral-direito e ponta, além de interesse em Ayyoub Bouaddi, do Lille.

O que está em jogo vai além dos primeiros resultados. O City enfrenta Manchester United e Liverpool logo depois da sequência inicial, jogos que pesam na briga por vaga na Champions e na disputa pelo topo da tabela. Qualquer tropeço cedo pode custar caro na corrida por títulos. Maresca assume em um cenário de incerteza: é a primeira vez desde a chegada dos donos de Abu Dhabi que o plano de longo prazo não está totalmente traçado após a saída de Guardiola.
A torcida cobra vitórias e entretenimento, exigência que já cobrou seu preço em outras passagens do italiano. No Chelsea, ele não conseguiu equilibrar os dois lados de forma consistente. Aqui, a margem de erro é menor, mesmo com o vínculo próximo ao chairman Khaldoon Al Mubarak. A pressão por troféus permanece alta, e qualquer resultado abaixo da expectativa tende a ser questionado rapidamente.
Ainda pairam as 115 acusações da Premier League sobre o clube. Maresca terá que lidar com perguntas difíceis da imprensa, algo que Guardiola administrava com maestria após anos em grandes clubes. O italiano, que renunciou ao Chelsea no dia de Ano Novo de 2026, precisará mostrar habilidade também fora de campo para blindar o grupo.
O mercado deve acelerar agora que a Copa do Mundo terminou. Possíveis saídas de Savinho, Omar Marmoush, Nico González, Jack Grealish, Tijjani Reijnders e Rico Lewis dependem de propostas que atendam às exigências financeiras. Enquanto isso, o foco imediato está na estreia oficial em 1º de agosto contra o Inter de Milão, na Coreia do Sul, primeiro teste real do novo projeto.
Maresca chega com a vantagem de não ser o único estreante entre os grandes da Inglaterra. Técnicos como Andoni Iraola no Liverpool, Xabi Alonso no Chelsea e Michael Carrick no United também iniciam ciclos, o que torna a Premier League ainda mais imprevisível. Para o City, essa instabilidade representa chance de marcar território cedo. O elenco tem raça e profundidade para brigar em todas as frentes, mas o sucesso dependerá de como o novo comandante lida com a transição de estilo, a ausência de Rodri em alguns jogos iniciais e a cobrança constante por resultados. O desafio é claro: manter o City no topo sem a presença de Guardiola e provar que a categoria do grupo supera qualquer mudança de comando.
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