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Versatilidade: o novo superpoder que redefine o futebol de elite

28 de abril de 20264 min de leituravia Ana Beatriz Santos
Versatilidade: o novo superpoder que redefine o futebol de elite — Futebol

Luis Enrique surpreendeu com mudanças táticas ousadas na vitória do Paris Saint-Germain sobre o Nice, há um mês. O lateral esquerdo Nuno Mendes atuou como ponta pela esquerda, o zagueiro Lucas Beraldo foi para o meio-campo e o ponta Khvicha Kvaratskhelia avançou para o ataque. Essas alterações garantiram um placar de 4 a 0, com Mendes brilhando em posição inédita e o Nice perdido na fluidez do adversário. "Deixamos eles jogarem com muita liberdade", reclamou o técnico Claude Puel.

Questionado sobre repetir ideias inovadoras contra o Toulouse, Luis Enrique revelou sua visão para o futebol de alto nível: "Claro. Meu sonho é ter 20 jogadores que atuem em qualquer posição. Nuno Mendes como lateral, ponta, centroavante ou meia. Todos, menos o goleiro. Imaginem o técnico rival vendo a escalação e pensando: 'Ele joga em todo lugar!'. É um sonho difícil, mas vou tentar."

Na eliminação do Liverpool nas quartas da Champions League, o PSG voltou às posições naturais, mas manteve a fluidez. Defensores avançavam ao meio, meias trocavam lados e o trio de frente rodava constantemente. Ousmane Dembélé marcou dois gols como '9', mas surgia em todos os cantos, confundindo a marcação.

Fluidez no confronto PSG x Bayern

Agora, nas semifinais da Champions, o PSG enfrenta o Bayern de Munique de Vincent Kompany, que adota princípios do Futebol Total, com rotações constantes. "Harry Kane não fica só na área esperando", explicou o diretor esportivo Max Eberl. "Michael Olise e Luis Díaz não se limitam a dribles na ponta. Joshua Kimmich alterna entre lateral-direito e volante. O futebol atual prioriza criatividade: como reagir ao rival e explorar espaços, abandonando formações rígidas como 4-2-3-1."

Konrad Laimer exemplifica essa polivalência no Bayern: ex-meia do RB Leipzig, hoje brilha como lateral pelas duas bandas. "Ele é ideal para isso", elogiou Eberl. "Começou como 10 no Salzburg, virou 8 no Leipzig e agora é lateral na visão de Kompany."

Estrelas polivalentes na Premier League e além

Na Premier League, Dominik Szoboszlai, do Liverpool, atua em qualquer posição do meio-campo, na lateral-direita ou até no ataque. O Manchester City perde Bernardo Silva, mas ganha Nico O'Reilly, meia que vira lateral. No Arsenal, Declan Rice joga como 6, 8 ou zagueiro, enquanto Kai Havertz transita entre meio e frente – e até lateral-esquerdo pela Alemanha.

O melhor exemplo é Federico Valverde, do Real Madrid, que domina o meio-campo e a ponta-direita sem esforço. Trent Alexander-Arnold o chamou de "o mais subestimado do planeta" após seu hat-trick contra o City. "Não importa onde o colocarem", disse o técnico Álvaro Arbeloa.

Lições de lendas como Zanetti

Valverde é referência atual, mas Luis Enrique, como jogador, atuou em todas as posições de linha, exceto zagueiro central, em clubes como Barcelona e pela Espanha. Javier Zanetti, ídolo da Inter e da Argentina, foi lateral-direito principal, mas cobriu esquerda, volante e zaga na conquista da Champions de 2010 com Mourinho.

"Isso gera confiança no elenco e no técnico, sabendo que você pode ajudar onde for preciso", disse Zanetti, hoje vice-presidente da Inter. "Jogadores modernos precisam dessa adaptabilidade."

A demanda vem da dinâmica crescente do jogo, lesões frequentes e calendário apertado. Financeiramente, é vantajoso: "Um jogador para três posições economiza contratações", observou Rafael Benítez. Zanetti enfatiza o foco e orientação tática para desenvolver essa habilidade.

Formação de jovens versáteis

Especialistas como Dan Micciche, ex-Everton, Arsenal e Tottenham, adaptam treinos para expor jovens a múltiplas funções. "Usamos um meia como zagueiro contra atacantes altos para melhorar bolas aéreas", exemplifica. Abordagens como Futebol Total ou rotações estilo vôlei forçam adaptações, beneficiando jogadores e clubes a longo prazo – apesar da pressão por vitórias imediatas.

Exemplos como Harry Kane caindo ao meio para chegar na área, Ronaldo virando centroavante aos 30 ou Zanetti reinventando-se aos 41 mostram como a versatilidade prolonga carreiras. PSG e Bayern provam seu valor nas semifinais da Champions, apontando o futuro do esporte.

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