Futebol

Versatilidade vira arma decisiva no futebol: de Nuno Mendes a Harry Kane, o jogo se reinventa

27 de abril de 20263 min de leituravia Ana Beatriz Santos
Versatilidade vira arma decisiva no futebol: de Nuno Mendes a Harry Kane, o jogo se reinventa — Futebol

Luis Enrique surpreendeu com mudanças táticas na vitória do Paris Saint-Germain sobre o Nice, no último mês. O lateral-esquerdo Nuno Mendes foi deslocado para a ponta esquerda, o zagueiro Lucas Beraldo atuou no meio-campo e o ponta Kvicha Kvaratskhelia avançou para o ataque. Essas alterações foram fundamentais para o placar de 4 a 0, com Mendes brilhando na posição improvisada e o Nice sofrendo com a movimentação imprevisível do adversário. 'Deixamos eles jogarem com muita liberdade', reclamou o técnico Claude Puel.

Questionado sobre repetir 'soluções inesperadas' contra o Toulouse, Luis Enrique revelou sua visão para o futebol de elite. 'Claro que sim. Meu sonho é ter 20 jogadores que atuem em qualquer posição. Nuno Mendes como lateral, ponta, centroavante ou meia. Todos, menos o goleiro. Imaginem o técnico adversário vendo a escalação e pensando: 'Ele joga em todo lugar!'. É um sonho difícil, mas vou tentar.'

Na eliminação do Liverpool nas quartas da Champions League, o PSG voltou às posições naturais, mas manteve a fluidez. Defensores avançavam ao meio, meias trocavam de lado e o trio de frente rotacionava. Ousmane Dembélé marcou dois gols como falso 9, mas aparecia em todos os cantos, desestabilizando a marcação.

Bayern de Kompany segue a mesma linha

O adversário nas semifinais, Bayern de Munique de Vincent Kompany, adota princípios do Futebol Total, com rotações constantes. 'Harry Kane não fica só na área esperando', disse o diretor esportivo Max Eberl. 'Michael Olise e Luis Díaz não se limitam a dribles na ponta. Joshua Kimmich alterna entre lateral-direito e volante.' Eberl enfatiza que o jogo atual prioriza criatividade, explorando espaços em vez de formações rígidas como 4-2-3-1.

Konrad Laimer exemplifica essa polivalência no Bayern: veio como meia do RB Leipzig, mas se destaca como lateral-direito e esquerdo. 'Ele é ideal para isso, tendo sido 10 no Salzburg e 8 no Leipzig', completou Eberl.

Estrelas da Premier League em destaque

Na Premier League, Dominik Szoboszlai, do Liverpool, joga em qualquer posição do meio, na lateral-direita ou até no ataque. O Manchester City perde Bernardo Silva, mas ganha Nico O'Reilly, meia que vira lateral. No Arsenal, Declan Rice transita entre volantes e zagueiro, enquanto Kai Havertz atua no meio, ataque ou até lateral-esquerdo pela Alemanha.

O melhor exemplo é Federico Valverde, do Real Madrid, que se adapta a qualquer função no meio ou pela direita. Trent Alexander-Arnold o chamou de 'o mais subestimado do planeta' após hat-trick contra o City. 'Não importa onde o colocarem', elogiou o técnico Álvaro Arbeloa.

Lições de Zanetti e o futuro do jogo

Valverde define o padrão atual, mas Luis Enrique e Javier Zanetti foram versáteis como jogadores. Enrique atuou em todas as posições de linha, exceto zagueiro central. Zanetti, ídolo da Inter e Argentina, cobriu laterais, volante e zaga na Champions de 2010. 'Isso gera confiança do treinador e colegas. Jogadores modernos precisam disso', disse o vice-presidente da Inter.

A versatilidade responde à intensidade do calendário, lesões e finanças. 'Um jogador para três posições economiza contratações', resumiu Rafael Benítez. Zanetti credita foco e orientação tática: 'Absorvia tudo dos treinadores.'

Especialistas como Dan Micciche, ex-Everton e Arsenal, defendem treinos que forçam adaptações, inspirados no Futebol Total. Benefícios incluem longevidade, como Kane criando no meio ou Ronaldo virando 9 aos 30. Zanetti jogou até os 41 graças a isso.

PSG e Bayern mostram que a polivalência é o caminho para o futuro do futebol.

Compartilhar:CompartilharSeguir @pulsoesporte

Receba as principais notícias no seu e-mail

Uma seleção curada dos melhores artigos, direto na sua caixa de entrada. Sem spam.

Artigos Relacionados