Verstappen avista 'luz no fim do túnel' em Miami, enquanto Hadjar patina na Red Bull

O Grande Prêmio de Miami trouxe destinos opostos para os pilotos da Red Bull: Max Verstappen voltou a brilhar na briga pela ponta, mas Isack Hadjar ficou para trás, distante do holandês.
A Red Bull enfrentou dificuldades nas três primeiras etapas da temporada em março, mas as atualizações implementadas durante a pausa de cinco semanas antes de Miami permitiram que Verstappen mostrasse um desempenho bem mais competitivo.
O tetracampeão mundial não conseguiu ir além do oitavo lugar no grid na Austrália, China e Japão, com o melhor resultado em corrida sendo o sexto posto, sem ritmo para acompanhar Mercedes, Ferrari e McLaren.
Em Miami, porém, Verstappen largou bem no Sprint, terminando em quinto, e impressionou com o segundo lugar na classificação completa no sábado. No domingo, um erro na largada o jogou para o meio do pelotão, forçando uma recuperação até o quinto lugar, o que impediu uma avaliação precisa do ritmo de corrida do RB22 atualizado.
Essa melhora veio em meio a frustrações de Verstappen, que em China e Japão cogitou deixar a Fórmula 1 ao fim da temporada. Apesar de atribuir suas dúvidas às novas regras do esporte, e não ao carro da Red Bull, suas palavras após a classificação em Miami soaram esperançosas.
"Estou muito satisfeito com nossa posição atual", disse Verstappen. "A partir de agora, vejo luz no fim do túnel, podemos acelerar e reduzir ainda mais a diferença."
O que tornou Verstappen tão veloz?
Verstappen detalhou os fatores que o ajudaram a se aproximar dos rivais habituais da Red Bull.
"Nunca me senti à vontade com o layout do carro", explicou. "Nas últimas semanas, a equipe trabalhou intensamente para trazer melhorias que me deixassem mais confortável em vários aspectos, e os resultados apareceram. Sinto que controlo o carro novamente, posso forçar mais e as atualizações funcionam."
Em entrevista posterior, ele completou: "É tudo junto, antes nada funcionava. Eu me sentia um passageiro. O carro tinha subviragem, instabilidade, variava de sessão para sessão sem alterações. Entendemos boa parte dos problemas, ainda não estamos 100%, mas o carro agora parece mais coeso. Posso pilotar como quero, só com os comandos do volante. Além disso, na gestão de energia, todos aprendem a cada fim de semana. Somos novatos como fabricantes, nossa curva de aprendizado é íngreme, mas melhora a cada passo."
Miami foi um mau sinal para Hadjar?
Verstappen construiu fama de 'carrasco de companheiros' ao longo de sua ascensão como o melhor piloto atual da F1. Desde Daniel Ricciardo, que saiu em 2018 sentindo-se preterido, até Pierre Gasly, Alex Albon, Sergio Pérez, Liam Lawson e Yuki Tsunoda, que penaram na última temporada, cinco talentos foram superados.
Os ajustes extremos que Verstappen extrai do carro deixaram cada um deles expostos em momentos chave.
Hadjar começou bem nas três primeiras corridas, com terceiro no grid da Austrália e ritmo próximo ao tetracampeão. Mas, com o carro afinado para Verstappen desafiar os líderes em Miami, a diferença surgiu.
No Sprint, Verstappen foi quase um segundo mais rápido que Hadjar na última parte da classificação. Na quali principal, a margem foi similar, com segundo e nono lugares. Uma irregularidade técnica rebaixou Hadjar ao fundo do grid, e ele piorou tudo batendo no guard-rail logo no início, quebrando a suspensão dianteira e abandonando.
"Fui ansioso demais nas ultrapassagens e me destruí", admitiu Hadjar à Sky Sports F1. "Era fácil passar ali, devia ter sido mais cauteloso. Não precisava arriscar no limite dessa curva. Estou furioso. Pela primeira vez, lutei com o ritmo geral. Preciso cavar fundo para evitar outro fim de semana assim."
Red Bull não se abala com tropeço de Hadjar
Apesar do fim de semana duro, há motivos para otimismo com Hadjar e a Red Bull. O chefe Laurent Mekies revelou um problema de potência em retas que afetou o francês.
"Foi complicado, não fizemos tudo certo", disse Mekies. "Sem revelar segredos, tivemos déficit de velocidade em linha reta no carro dele a maior parte do tempo, o que prejudicou. No ritmo de pilotagem, ele estava entrando no eixo certo e seria forte na corrida, pelo pouco que mostrou. Não estamos preocupados. Não foi limpo, eramos na legalidade do carro, mas ele volta forte em Montreal."
Hadjar já provou resiliência: após choro por batida pré-estreia na Austrália ano passado, dominou na Racing Bulls e ganhou promoção.
O ex-campeão Jenson Button apoia: "Antes da primeira corrida ano passado, ele bateu antes da largada. Mas se recuperou e destruiu o companheiro na temporada. Não se preocupem, é uma corrida só. Vai voltar forte no Canadá."
A Fórmula 1 segue para o GP do Canadá em Montreal, outro fim de semana com Sprint, de 22 a 24 de maio.
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