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Balanço da SAF Botafogo expõe receita histórica e dívida colossal em meio a crise

1 de maio de 20263 min de leituravia Rafael Souza
Balanço da SAF Botafogo expõe receita histórica e dívida colossal em meio a crise — Futebol

Crise financeira assombra o Glorioso apesar de números impressionantes

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo divulgou, na quinta-feira passada (30 de abril), seu relatório financeiro anual de 2025. O documento, com 81 páginas, destaca uma receita inédita de R$ 1,44 bilhão, impulsionada principalmente pela venda de jogadores, mas também revela uma dívida acumulada que ultrapassa R$ 2 bilhões, agravando a instabilidade do projeto lançado em 2022.

Receitas batem recorde histórico

O faturamento totalizou R$ 1,44 bilhão, o maior já registrado pelo Alvinegro. Destaque para os R$ 733 milhões obtidos com transferências de atletas. Outras fontes importantes incluem R$ 269 milhões em premiações, especialmente graças à participação no Mundial de Clubes, R$ 92 milhões de patrocínios e publicidade, R$ 52 milhões do programa de sócios-torcedores e R$ 60 milhões em comercialização de mercadorias.

Dívida bilionária preocupa controladores

Por outro lado, o passivo chega a R$ 2 bilhões, incluindo R$ 260 milhões de receitas não realizadas, o que ajusta o valor para cerca de R$ 1,8 bilhão no balanço oficial — também um recorde negativo. A SAF conseguiu reduzir a dívida do Botafogo Social em R$ 80 milhões durante o ano, baixando para R$ 550 milhões. O clube social, liderado por João Paulo Magalhães e detentor de 10% das ações, permanece como peça-chave no cenário.

Textor admite falhas no modelo multiclubes

John Textor, que comandava a SAF na época do balanço mas agora está afastado, criticou o frágil modelo de rede multiclubes da Eagle. O Botafogo move ação judicial contra o Lyon, exigindo mais de R$ 700 milhões. Em declaração, ele afirmou: "É essencial admitir os obstáculos. O esquema de colaboração multiclubes, que nos levou à melhor temporada em 120 anos, revelou-se vulnerável, gerando desafios para nossa projeção internacional. Enfrentamos isso com transparência."

Auditoria levanta alertas graves

A firma BDO, responsável pela auditoria independente, optou por não emitir opinião conclusiva. Citou falta de evidências suficientes em meio ao pedido de recuperação judicial da SAF, no final de abril, e à incerteza geral. Isso pode impactar ativos, passivos, patrimônio e fluxo de caixa. O relatório destaca capital circulante negativo de R$ 952 milhões (contra R$ 549 milhões em 2024) e passivo descoberto de R$ 432 milhões (ante R$ 141 milhões no ano anterior). A continuidade operacional depende de ações urgentes para equilíbrio financeiro.

Problemas com Lyon e Eagle Bidco também foram questionados, sem premissas sólidas para recuperação de créditos. A auditoria, em 13 parágrafos, menciona ausências de documentos para receitas, débitos e confirmações bancárias.

Futuro incerto com disputa pelo controle

O Botafogo atravessa turbulência financeira e societária. Recentemente, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu os poderes da Eagle Bidco, acionista majoritária. Durcesio Mello, nomeado diretor-geral após decisão do Tribunal Arbitral da FGV contra Textor, assume o comando. Uma Assembleia Geral Extraordinária será convocada, com o Botafogo Social decidindo sobre sua gestão. Há otimismo por novos aportes e investidor, como a GDA Luma, que já emprestou US$ 25 milhões inicialmente. Textor pode estar de saída definitiva.

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