Flamengo aciona ANRESF para analisar venda da SAF do Vasco

O Flamengo acionou a ANRESF para avaliar a venda da SAF do Vasco.
A rivalidade entre rubro-negros e cruz-maltinos sempre extrapolou o gramado, e agora ganha novo capítulo fora dele. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, formalizou um pedido de análise sobre o acordo que envolve o empresário Marcos Lamacchia no controle da SAF vascaína. O clube entende que a operação pode ferir regras de multipropriedade previstas no Regulamento de Sustentabilidade Financeira da agência e na Lei Geral do Esporte.
O Flamengo não está sozinho nessa preocupação. A própria ANRESF já havia procurado o Vasco para pedir esclarecimentos sobre os termos da negociação. A agência quer detalhes sobre como a transação será estruturada e aguarda resposta do clube para prosseguir. Marcos Lamacchia, filho do empresário José Lamacchia, marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, aparece como principal interessado. A relação familiar levanta dúvidas sobre possível influência cruzada entre dois clubes que disputam as mesmas competições.

Regras em debate
O regulamento da ANRESF é claro ao proibir que uma mesma pessoa ou grupo exerça controle direto ou indireto sobre mais de um clube. Critérios como participação societária, poder de veto, influência na gestão e acordos que permitam interferência em decisões esportivas ou financeiras estão na mira. As restrições alcançam também cônjuges e parentes até segundo grau. A Lei Geral do Esporte reforça essa barreira, impedindo participação simultânea na administração ou no capital de entidades que disputem a mesma competição profissional.
O Vasco planeja recomprar 100% das ações da SAF antes de vender 90% para o investidor. Discussões sobre o uso de mecanismos como blind trust surgiram para tentar separar a gestão e evitar conflitos com regras de fair play financeiro. Qualquer mudança no controle da SAF precisa ser comunicada à ANRESF em até 30 dias e deve estar em linha com o Sistema de Sustentabilidade Financeira.
Para o torcedor rubro-negro, o movimento de Bap reforça a postura de cobrar rigor nas regras do futebol brasileiro. O Clássico dos Milhões não é apenas sobre pontos na tabela, mas sobre como a estrutura de propriedade dos clubes pode afetar a competitividade. Se a ANRESF identificar incompatibilidade, poderá se manifestar e até impedir a conclusão da operação.
O tema da multipropriedade ganhou força nos últimos anos com a chegada de investidores estrangeiros e a criação de SAFs. Clubes como Botafogo e Cuiabá já operam sob novos modelos, mas casos que envolvem parentes de dirigentes de outros times acendem alertas. O Flamengo cita especificamente a seção 9 do regulamento e o artigo 62 da Lei Geral do Esporte como base do pedido.
No campo, Vasco e Flamengo se preparam para duelos diretos na Série A. Cada ponto conquistado pesa na briga por vaga na Libertadores ou na zona de rebaixamento. Uma eventual influência cruzada entre Palmeiras e Vasco poderia, na visão do Flamengo, distorcer o equilíbrio competitivo. A ANRESF agora tem nas mãos a tarefa de analisar os documentos e decidir se a transação respeita as normas.
A repercussão no mercado de apostas e entre investidores é imediata. Qualquer sinal de irregularidade pode atrasar a conclusão do negócio e afetar o planejamento do Vasco para a janela de transferências. O clube cruz-maltino busca reforços, como o colombiano Nelson Deossa, enquanto tenta blindar a operação da SAF.
Bap já havia classificado publicamente a possível venda como algo ilegal. O pedido formal à agência dá peso institucional à cobrança. Resta saber se a ANRESF vai convocar as partes para audiência ou se vai se manifestar por meio de parecer técnico. Enquanto isso, a novela da SAF vascaína continua fora dos holofotes do gramado, mas com impacto direto no futuro de duas das maiores torcidas do país.
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