Horários do Brasileirão: o debate que pode moldar a liga única do futebol brasileiro

A polêmica em torno dos horários das partidas do Campeonato Brasileiro ganhou destaque nos últimos meses e se tornou um dos pontos centrais nas negociações para a criação de uma liga única no país. Enquanto a CBF defende que jogos noturnos reduzem a presença de torcedores nos estádios, um estudo detalhado apresentado aos clubes mostra que o impacto financeiro direto dessa queda de público é bem menor do que se imaginava.
Dados sobre ocupação nos estádios
Análises dos jogos da Série A do ano passado revelam que as partidas de domingo às 16h tiveram média de 70% de ocupação, com cerca de 32,6 mil torcedores. Já os confrontos às 20h30 registraram queda para 55% de ocupação e público médio de 24,6 mil pessoas. A diferença entre os jogos das 18h30 e os das 20h30 fica em torno de 3,8 mil espectadores por partida.
Utilizando um valor médio de ingresso de R$ 51, o estudo estima que, mesmo no pior cenário de cinco jogos como mandante aos domingos à noite, a perda de receita com bilheteria não ultrapassaria R$ 195 mil por temporada. A maioria dos times da elite teve exposição limitada a esse horário: quinze clubes mandaram menos de duas partidas nesse período.
Comparação com o futebol europeu
O levantamento também destaca que o Brasileirão concentra cerca de 80% de seus jogos em horários noturnos, índice bem superior ao de grandes ligas europeias. Na Espanha o percentual cai para 60%, na Alemanha para 30% e na Inglaterra para apenas 25%. Durante visitas técnicas realizadas neste ano a esses países, dirigentes da CBF observaram que as principais competições priorizam horários da tarde nos fins de semana.
A Premier League, por exemplo, costuma reservar as faixas noturnas quase exclusivamente para jogos de meio de semana. No Brasil, fatores como compromissos continentais, intervalo mínimo de descanso entre partidas, questões de segurança e interesses das emissoras complicam a montagem da grade.
Impacto dos direitos de transmissão
A divisão comercial entre Libra e Futebol Forte União trouxe novos desafios. Os dois blocos fecharam contratos bilionários com a Globo, totalizando mais de R$ 14 bilhões até 2029. Essa nova realidade exige mais janelas de transmissão e amplia a variedade de horários, tornando ainda mais necessário um planejamento equilibrado para sustentar tanto o público nos estádios quanto as receitas dos clubes.
O debate, portanto, vai além do simples horário de domingo à noite e aponta para a necessidade de uma grade mais inteligente que beneficie todo o ecossistema do futebol brasileiro.
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