Por que Kaká vê o Marrocos como modelo para o futebol brasileiro?

O alerta após a Copa de 2026
A campanha abaixo do esperado da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, colocou o país diante de um momento de autocrítica. Kaká, eleito o melhor do mundo em 2007 e com vasta experiência em Europa e Brasil, trouxe à tona essa preocupação em declarações dadas em 18 de julho de 2026, em East Rutherford. Ele destacou que os resultados recentes mostram o Brasil ficando para trás em relação a outras potências.
O ex-jogador do São Paulo e Milan defendeu que não basta discutir superficialmente. É preciso um diagnóstico profundo que envolva CBF, clubes formadores e até a imprensa. O objetivo seria criar um plano de curto, médio e longo prazo para recuperar a essência do nosso futebol nos próximos quatro anos.

O projeto de longo prazo defendido por Kaká
Kaká insistiu que a reformulação deve começar nas categorias de base e chegar ao profissional. Ele sugeriu que a CBF coordene com os principais clubes um trabalho integrado, resgatando a criatividade, a espontaneidade e a capacidade de improvisar que sempre marcaram o DNA brasileiro. Ao mesmo tempo, defendeu misturar isso com o aprimoramento tático aprendido em ligas como a italiana.
O ex-meio-campista lembrou que discussões superficiais não resolvem nada. É necessário visitar todos os clubes formadores, ouvir opiniões qualificadas e construir um projeto que abasteça a Seleção com atletas prontos para grandes competições. Essa visão ganha ainda mais peso após a eliminação ou desempenho decepcionante da equipe canarinho em 2026.
O exemplo marroquino e o que vem pela frente
Como referência positiva, Kaká citou o Marrocos. O país africano conquistou o Mundial Sub-20, viu o treinador da base assumir a seleção principal e tem alimentado a equipe adulta com jovens bem formados. Na Copa de 2026, os marroquinos perderam para a França, mas repetiram campanha sólida depois de chegar à semifinal em edição anterior. Além disso, o Marrocos será uma das sedes da Copa de 2030, fruto de planejamento iniciado há muitos anos.
Kaká ressaltou que o Brasil pode aprender com esse modelo sem abrir mão de suas características únicas. Países como França e Espanha também são citados por ele como exemplos de transição bem-sucedida entre base e profissional. O ex-jogador acredita que a hora é agora: traçar diagnóstico realista e montar plano estruturado para que a Seleção volte a brigar pelas taças com consistência.
A fala de Kaká chega às vésperas da decisão entre Espanha e Argentina, marcada para 19 de julho de 2026, no MetLife Stadium. O debate sobre o futuro do futebol brasileiro tende a ganhar força nos próximos meses, especialmente com o calendário de eliminatórias e competições continentais à frente. Clubes e federação terão de mostrar se estão dispostos a investir em formação de verdade ou continuarão dependendo de resultados pontuais.
Nos últimos anos, o Brasil viu seleções jovens darem passos importantes, mas a falta de integração com o time principal ainda é evidente. Kaká reforça que só um projeto de longo prazo, com acompanhamento da imprensa e participação ativa dos formadores, poderá mudar esse cenário. O Marrocos prova que paciência e estratégia trazem frutos; agora cabe ao Brasil decidir se quer copiar o caminho ou continuar discutindo sem ação concreta.
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