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Reforma tributária de 2027 impulsiona nova onda de SAFs com cautela dos clubes

Por Rafael Mendes18 de julho de 20263 min de leitura
Reforma tributária de 2027 impulsiona nova onda de SAFs com cautela dos clubes — Futebol

A transformação tributária muda o jogo

A razão principal por trás da nova onda de SAFs não é mais o sufoco imediato com dívidas bilionárias, mas a sobrevivência fiscal a partir de janeiro de 2027. Com a reforma tributária, clubes associativos tradicionais enfrentarão carga estimada em 16% sobre a receita total, incluindo IBS, CBS e INSS. Já as SAFs mantêm o Regime de Tributação Específica do Futebol com alíquota de apenas 5%. Essa diferença de 11 pontos percentuais força as diretorias a repensar o modelo antes que os custos explodam.

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O Brasil já registra mais de 117 SAFs oficiais até meados de 2025, com projeção de ultrapassar 120 em 2026. A primeira leva, marcada pelo desespero, trouxe Ronaldo ao Cruzeiro por 90% das ações, John Textor ao Botafogo por R$ 400 milhões via Eagle Football e a 777 Partners ao Vasco por cerca de R$ 700 milhões pelos 70%. Muitos contratos daquela fase deixaram brechas que hoje geram problemas, como as dificuldades enfrentadas pela 777 em outros casos.

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Vasco aguarda Justiça para avançar na venda da SAF

O Vasco recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro com agravo de instrumento para suspender intervenção na SAF e autorizar a venda de 90% para o grupo Almirante Participações liderado por Marcos Lamacchia. O clube busca blindagem contra ofertas concorrentes e liberdade para contratar reforços. Enquanto isso, Guarani e Ponte Preta aparecem como possíveis candidatas na nova leva, mas ainda estão atrás do Juventus de Campinas.

A operação do Juventus, fechada em outubro de 2025 por R$ 480 milhões ao longo de dez anos pelos 90% do futebol, já entregou título da Série A2 Paulista e retorno à elite do Campeonato Paulista. Esse caso ilustra o ritmo mais maduro da atual geração: nascida sob a Nova Lei das SAFs e as regras de Fair Play Financeiro da CBF, com ênfase em governança, compliance e modelos híbridos ou minoritários.

O que isso significa para os clubes

A mudança de motivação altera completamente o perfil dos investidores procurados. Antes, qualquer capital que cobrisse dívidas era bem-vindo. Agora, as diretorias exigem parceiros com histórico sólido, contratos mais amarrados e preservação de identidade do clube. Modelos que vendem controle total perdem espaço para estruturas que mantêm influência associativa.

Essa maturidade jurídica chega em momento decisivo para o futebol brasileiro. Com mais de 120 SAFs em atividade até 2026, o formato empresarial deixa de ser exceção e passa a ser ferramenta de sobrevivência tributária. Clubes que demorarem a migrar correm risco de perder competitividade financeira, enquanto os que acertarem a transição ganham fôlego para brigar por vagas em competições continentais e melhorar a gestão de elenco.

O impacto prático aparece na mesa de negociações. Investidores agora enfrentam due diligence mais rigorosa e cláusulas que protegem o patrimônio histórico. O Vasco, por exemplo, tenta equilibrar a entrada de capital com a manutenção de autonomia operacional. Já o sucesso inicial do Juventus mostra que planejamento tributário combinado com boa gestão em campo pode acelerar resultados.

No fundo, a nova onda consolida uma era de maior profissionalismo. A reforma de 2027 não perdoa quem ficar no modelo antigo. Quem migrar com calma e contratos bem estruturados terá vantagem competitiva duradoura. Quem repetir os erros da primeira leva pode enfrentar novos colapsos de investidores. O futebol brasileiro, portanto, assiste a uma seleção natural: sobrevivem os clubes que souberem usar a SAF como instrumento de longo prazo, não apenas como salvamento emergencial.

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