Trocas constantes de treinador ampliam lesões e desgastam elencos no futebol

Instabilidade no comando técnico traz consequências físicas
A demissão de treinadores após resultados ruins se consolidou como prática comum no futebol brasileiro. Dirigentes costumam recorrer a essa medida diante de qualquer sequência negativa, sem avaliar os efeitos mais amplos sobre o elenco.
Um estudo realizado pela UEFA demonstra que essas mudanças frequentes não afetam apenas o desempenho em campo. Elas também elevam de forma expressiva o risco de lesões musculares entre os atletas.
Dados do levantamento europeu
A pesquisa acompanhou 14 clubes de alto nível durante três temporadas. A substituição isolada do treinador elevou em cerca de 19% a incidência de problemas musculares. Quando a troca inclui também o preparador físico, o aumento chega a 276%.
O tempo de afastamento dos jogadores sobe de 16 para 45 dias perdidos a cada mil horas de atividade. Os músculos posteriores da coxa são os mais afetados nesse cenário.
Realidade do Brasileirão
O CIES Football Observatory revelou que o campeonato brasileiro figura entre as ligas com maior número de mudanças de comando no mundo. Nos últimos doze meses, 85% dos times da Série A alteraram o treinador pelo menos uma vez.
Até a décima rodada da temporada atual, a média chegou a uma demissão por rodada. O São Paulo foi o primeiro clube a dispensar dois comandantes no mesmo ano.
Opinião de especialista
O fisiologista Turíbio Leite de Barros, da Portuguesa, explica que a diferença nos métodos de preparação física é o principal fator. Cada nova comissão técnica altera protocolos de carga, intensidade e recuperação, forçando os atletas a se adaptarem rapidamente.
Jogadores costumam aumentar o esforço nos treinos para conquistar espaço junto ao novo grupo, o que eleva ainda mais o risco de lesão.
Valor da continuidade
Clubes que mantêm o preparador físico interno mesmo após a saída do treinador registram índices menores de problemas físicos. A familiaridade com o elenco e a manutenção da metodologia atuam como proteção em calendários apertados.
A pressão por resultados imediatos transformou a instabilidade em hábito, mas os efeitos atingem diretamente o corpo dos jogadores e podem comprometer o restante da temporada.
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