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VAR domina Brasileirão: 68 revisões, 2h de paralisação e polêmicas sem fim nas 14 rodadas iniciais

12 de maio de 20263 min de leituravia Rafael Souza
VAR domina Brasileirão: 68 revisões, 2h de paralisação e polêmicas sem fim nas 14 rodadas iniciais — Futebol

Polêmicas com o VAR agitam o Brasileirão e questionam seu uso excessivo

O Video Assistant Referee (VAR) tem sido o grande protagonista das últimas rodadas do Campeonato Brasileiro Série A, gerando controvérsias em decisões que alteraram placares e inflamaram torcidas. Embora essencial para corrigir erros graves, o sistema levanta debates sobre o equilíbrio entre precisão e fluidez do jogo, especialmente em lances subjetivos. Um estudo detalhado das 14 primeiras jornadas revela um número expressivo de interrupções, superior ao de ligas europeias top, com foco em gols e expulsões.

Quase 40% dos jogos interrompidos e taxa de alteração de 95%

Nas 134 partidas das 14 rodadas iniciais, o VAR foi acionado 68 vezes, resultando em uma média de 0,51 intervenção por jogo — ou seja, praticamente uma a cada duas partidas. Isso afetou 51 confrontos, cerca de 38,1% do total. Em 95,6% dos casos, a decisão do árbitro de campo foi modificada, com apenas três confirmações integrais. Gols lideram as revisões (28 casos, 41,2%), seguidos por cartões vermelhos (23, 33,8%) e pênaltis (16, 23,5%).

Carlos Eugênio Simon, ex-árbitro de Copas do Mundo e analista da ESPN, critica: "O VAR deve se limitar a erros claros e óbvios, como gols ou impedimentos evidentes, sem invadir lances interpretativos, onde o juiz em campo é soberano".

Gols anulados em alta e tempos de análise extensos

Dos 28 lances de gol revisados, 21 foram anulados, principalmente por impedimentos milimétricos, mãos na bola ou faltas na origem da jogada. Casos como o de Remo x Palmeiras, com gol de Bruno Fuchs invalidado, exemplificam as tensões. Renata Ruel, comentarista da ESPN, aponta falhas: "No gol palmeirense contra o Remo, toque acidental na mão não deveria anular, mas instruções da CBF confundem os árbitros".

As 68 intervenções somaram 2 horas, 11 minutos e 49 segundos de jogo parado, com média de 1 minuto e 58 segundos por revisão. Pênaltis demoram mais (2min15s), enquanto vermelhos são mais ágeis (1min53s). A revisão mais longa, de 5min20s, ocorreu em Cruzeiro x Vitória.

Brasil intervém mais que Europa e inspira mudanças globais

Com 0,51 revisão por jogo, o Brasileirão supera Premier League (0,275), Bundesliga e La Liga (0,38), Série A italiana (0,44), Ligue 1 (0,47) e Champions (0,45). Roberto Rosetti, chefe de arbitragem da UEFA, defende foco em "erros claros e óbvios", evitando microanálises. No Brasil, 25,5% dos jogos com VAR tiveram múltiplas intervenções, reforçando a percepção de um sistema hiperativo.

Renata Ruel complementa: "O VAR brasileiro ainda patina em definir erros graves, como visto em jogos do Vitória ou na Libertadores inicial".

Oscilações por rodada e impacto disciplinar

A 1ª rodada teve 8 intervenções, a 9ª teve 7, enquanto 7ª e 12ª registraram só uma cada. No disciplinar, amarelos viraram vermelhos com frequência, e poucas expulsões foram revertidas. Esses números expõem um campeonato onde a tecnologia redefine o fluxo, mas clama por critérios mais uniformes para preservar a essência do futebol.

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