Ferrari impõe ritmo forte na Hungria e Mercedes já sente a pressão

Hamilton marca o ritmo logo no início
Lewis Hamilton cravou 1:18.729 na FP2 e deixou Charles Leclerc a apenas 0,148s, selando a dobradinha da Ferrari logo no primeiro dia de trabalho em Budapeste. O tempo foi o suficiente para acender o sinal de alerta dentro da Mercedes, que viu seu maior rival ocupar as duas primeiras posições em um circuito onde a velocidade em curva costuma decidir tudo.
O Hungaroring voltou com metade da pista recapeada, o que criou um asfalto irregular e cheio de solavancos, especialmente nas últimas curvas. O vento forte também mudou de direção várias vezes, atrapalhando a estabilidade dos carros. Mesmo assim, a Ferrari mostrou logo de cara que o acerto funcionou melhor que o dos rivais.

Russell admite o temor confirmado
George Russell foi direto: a Mercedes já esperava que a Ferrari aparecesse forte neste traçado sinuoso, e a expectativa se confirmou. O inglês terminou apenas em quinto, 0,933s atrás de Hamilton, e reconheceu que o ritmo de volta lançada da Mercedes ficou abaixo do ideal. Os long runs até pareceram mais próximos, mas na hora de marcar tempo a diferença ficou clara.
Russell destacou que o carro da Mercedes ainda precisa de ajustes, principalmente no equilíbrio. Ele e Kimi Antonelli, líder do campeonato, sentiram o carro longe do ideal. Antonelli, que pulou a FP1 para dar espaço ao estreante Frederik Vesti, acabou em 13º depois de ser prejudicado por bandeira vermelha causada por Franco Colapinto e por erros próprios, como uma forte travada na curva 2.
O que está em jogo no campeonato
A Mercedes chega à Hungria com oito vitórias em dez corridas disputadas, mas o traçado de Budapeste joga a favor das características da Ferrari, que já venceu duas vezes nesta temporada. Uma boa performance neste fim de semana pode encurtar a distância na tabela e mudar o humor da briga pelo título de construtores.
Lando Norris ficou em terceiro com a McLaren atualizada, enquanto Max Verstappen foi quarto na Red Bull. Oscar Piastri, que rodou sem a grande atualização, terminou oitavo. A diferença entre as equipes parece pequena em alguns setores, mas a Ferrari saiu na frente na sexta-feira.
Ferrari evita euforia e foca no sábado
Charles Leclerc elogiou a sensação imediata com o carro, mas lembrou que a diferença vista hoje costuma diminuir entre sexta e sábado. Ele sabe que a classificação será apertada e que a equipe precisa estar perfeita na Q3 para converter a vantagem em pole. Hamilton também falou em progresso entre os treinos, mas destacou que ainda há pontos de equilíbrio a melhorar.
Frederic Vasseur, chefe da Ferrari, repetiu o tom cauteloso: sexta-feira boa não garante pole nem vitória. Ele citou que Norris nem completou a volta e que o sábado costuma trazer surpresas. A equipe italiana quer manter a cabeça no lugar e trabalhar duro para não perder o embalo.
Contexto tático e o que esperar
O Hungaroring premia carros que freiam tarde, saem bem das curvas lentas e mantêm temperatura nos pneus. A Ferrari parece ter acertado esse pacote desde a FP1, quando Leclerc já liderou com folga. A Mercedes, por outro lado, lutou com subviragem e instabilidade em alta velocidade.
O vento que deve mudar de direção no sábado pode alterar ainda mais o cenário, especialmente na classificação. Equipes que conseguirem ajustar rapidamente o acerto aerodinâmico vão levar vantagem.
Red Bull e McLaren também observam de perto. Isack Hadjar, da Red Bull, já esperava a Ferrari forte neste tipo de pista e cobrou a Mercedes para “acordar”. Piastri, da McLaren, reconheceu a velocidade dos italianos, mas aposta que a McLaren atualizada pode brigar quando o dia estiver bem executado.
O que a Mercedes precisa resolver
Russell falou em trabalho urgente. O time precisa entender por que o carro perdeu tanto em volta lançada e se o problema é só de acerto ou algo mais profundo no pacote aerodinâmico. Com Antonelli ainda se adaptando ao carro em um circuito novo, a pressão aumenta para que os engenheiros entreguem uma melhora clara até o sábado.
A bandeira vermelha na FP2 também atrapalhou os programas de alguns pilotos, inclusive o de Antonelli, que não conseguiu completar voltas limpas com pneu macio. Recuperar esse tempo perdido no sábado de manhã será fundamental.
Olhar para a classificação e a corrida
Se a Ferrari mantiver o ritmo, a pole parece possível, mas nada está decidido. A história recente mostra que equipes costumam dar um salto entre sexta e sábado, e a Mercedes já demonstrou capacidade de reação. O importante agora é ver quem consegue melhor gerenciar os pneus no calor húngaro e quem acerta o acerto para o vento instável.
O fim de semana ainda é longo, mas a sexta-feira deixou claro que a briga pelo topo vai ser mais acirrada do que a Mercedes imaginava ao chegar a Budapeste.
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