Russell respira aliviado e mira recuperação no título após conserto da Mercedes

No instante em que Lewis Hamilton encostou na traseira do Mercedes de George Russell logo na primeira volta em Spa, o britânico sentiu o carro perder tração e sair da pista. O impacto não foi só físico: veio no momento em que problemas de deployment de energia já deixavam o W17 vulnerável.
Russell terminou o fim de semana belga 50 pontos atrás do companheiro Kimi Antonelli na briga pelo título de 2026. O revés custou caro, mas o piloto inglês agora chega à Hungria com a cabeça mais leve. A Mercedes identificou e corrigiu uma falha de software que afetava a entrega de potência, algo que vinha prejudicando tanto ele quanto outros carros da fornecedora.
O problema era sutil. Números na tela não estavam calibrados direito, fazendo Russell ajustar a pegada no acelerador e as trocas de marcha sem necessidade. Em Silverstone e Spa isso custou velocidade de reta e uma largada comprometida. Agora, com o bug resolvido, ele pode pilotar de forma natural, sem compensar o tempo todo.

O que está em jogo em Budapeste
A Hungaroring chega como última corrida antes do recesso de três semanas. É uma pista que cobra mais do chassi do que do motor, o que joga a favor da Ferrari, mas também permite que a Mercedes foque em ritmo de corrida e estratégia. Russell já sabe o que fazer ali: duas vezes no pódio e pole position em 2022.
Ele carrega o embalo de três provas atrás, quando venceu na Áustria depois de bom resultado em Barcelona. Monaco tinha sido ponto baixo, mas a sequência posterior deu confiança. Silverstone e Spa interromperam a onda positiva. Em Budapeste, o objetivo é retomar aquela pegada.
Antonelli, por sua vez, chega embalado. O jovem italiano tem sido constante e lidera a tabela com folga. Ainda assim, Russell repete: não estamos nem na metade da temporada. Quatro corridas atrás a desvantagem era maior. A resiliência vira combustível.
O clima na equipe é de otimismo controlado. Os engenheiros mergulharam nos dados de Spa, acharam a agulha no palheiro e aplicaram a correção. Russell elogia o esforço coletivo e diz que agora é hora de olhar para frente. A pressão psicológica, segundo ele, foi a maior da carreira, mas a capacidade de virar a página é o que diferencia quem chega ao topo.
Para o torcedor brasileiro que acompanha a F1, o fim de semana em Budapeste tem sabor especial. É a chance de ver se a Mercedes realmente deu a volta por cima antes do verão europeu. Russell sabe que precisa pontuar forte para reduzir a diferença. Antonelli não vai facilitar. A briga interna na garagem prateada promete ser o grande capítulo desta etapa.
O traçado húngaro, com suas curvas longas e exigência de downforce, deve aproximar os carros de ponta. Ferrari aparece como ameaça direta. Russell admite que o time italiano tem chassi forte no momento e que o GP não será simples. Mesmo assim, o foco está em extrair o máximo do carro agora livre de limitações eletrônicas.
No paddock, o ambiente é de expectativa. A correção do software não é só técnica: representa alívio mental para o piloto que não precisa mais lutar contra o próprio carro. Russell chega à Hungria com a mesma raça de sempre, pronto para brigar posição por posição e manter viva a chama do título.
A temporada de 2026 promete ser decidida em detalhes como esse. Um bug de software, uma largada ruim, um contato na primeira volta. Tudo pesa. Mas a capacidade de reagir, de usar o que não mata para ficar mais forte, é o que Russell carrega agora para Budapeste. O público espera ver o britânico de volta ao embalo que o levou ao triunfo na Áustria. A Mercedes, por sua vez, quer confirmar que o pior ficou para trás.
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